BRASÍLIA e SÃO BERNARDO DO CAMPO - O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, cobrou o Congresso Nacional para que aprove o fim da escala 6X1, durante ato das centrais sindicais em comemoração ao Dia do Trabalho, em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Segundo Marinho, deputados e senadores precisam "encarar para valer" essa pauta, além da regulamentação do trabalho por aplicativo.
"Como disse o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), no ano que vem, nós queremos estar aqui com o pátio lotado mais uma vez para comemorar o 1º de maio em uma escala que seja melhor do que a escala de hoje. Ou seja, o último 1º de maio trabalhando 6x1. Esse é o recado importante", disse.
Ele defendeu que o povo faça uma escolha diferente na próxima eleição para "dar um basta nesse Congresso Nacional", que classificou como "entreguista" e "golpista".
"Sabemos que para melhorar o Congresso Nacional só depende de uma coisa, depende do nosso povo fazer uma escolha diferente na próxima eleição. É preciso que a gente fale, que a gente converse em casa, que a gente converse com os amigos, portanto, para dar um basta nesse Congresso, que é entreguista, que é acima de tudo golpista. Vamos tirar todos os golpistas de lá e botar a gente do nosso povo para representar", afirmou o ministro.
Marinho participou de ato das centrais sindicais em comemoração ao Dia do Trabalho em São Bernardo do Campo, em São Paulo.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Congresso gerou reações de setores produtivos, que alertam para o risco de demissões por causa do encarecimento do custo trabalhista no Brasil.
Defensores da pauta, por outro lado, veem alarmismo na repercussão negativa e citam, ao contrário, a possibilidade de criação de empregos com a implementação da medida. O fim da escala 6x1 é bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Boulos, que também participou do ato em São Bernardo do Campo, exaltou o projeto.
"O nosso Lula mandou para o Congresso o projeto para acabar com a escala 6x1 no Brasil. E essa é a luta. Agora está na mão do Congresso Nacional. Todo trabalhador e toda trabalhadora que está aqui sabe que a gente não conquistou nada sem luta, sem mobilização. E é por isso que a gente chama vocês de novo paras ruas, para a luta, para gente garantir dois dias de descanso para o trabalhador e para trabalhadora. Para a gente acabar com a 6x1", disse Boulos.
Comissão terá comando governista
A comissão especial que vai debater o mérito (conteúdo) da proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre fim da escala 6x1 terá comando governista e será composta majoritariamente por parlamentares da base aliada ou que já se manifestaram favoravelmente ao tema - sinalizando que a PEC terá pouca resistência no colegiado.
A comissão foi instalada nesta quarta-feira, 29. O comando ficará a cargo de deputados aliados do governo, que concorreram como chapa única. No total, foram 28 votos favoráveis e três em branco.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), estabeleceu o dia 28 de maio como prazo para votação da PEC no plenário.
O presidente será Alencar Santana (PT-SP). A primeira vice-presidente será a deputada Daiana Santos (PC do B-RS), autora de um projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.