BRASÍLIA - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda lançar uma medida provisória (MP) apelidada de "Brasil Soberano 2.0? nos corredores de Brasília, para ajudar setores afetados pela guerra no Oriente Médio. Entre as propostas avaliadas no Palácio do Planalto está a criação de uma linha de crédito de R$ 15 bilhões. A informação foi revelada pelo Valor Econômico e confirmada pela Estadão/Broadcast.
A expectativa é que, além da linha de crédito, uma série de medidas que buscam proteger setores mais atingidos sejam anunciados pelo Executivo. Para isso, ainda é necessário um crivo de Lula e novas reuniões entre as pastas envolvidas: o Ministério da Fazenda, a Casa Civil, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Pessoas próximas do Planalto defendem que o governo possui capacidade de lançar as novas medidas sem comprometer as receitas ou decretar estado de calamidade pública.
O governo enxerga com preocupação os impactos no decorrer da guerra nos preços dos combustíveis, em especial o diesel. Mesmo com a isenção do PIS/Cofins e a subvenção, anunciadas na semana passada, as cifras nas bombas registram aumentos em várias partes do País. Como resposta, uma força-tarefa, liderada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) atua para fiscalizar e reprimir "aumentos abusivos".
Por outro lado, o governo conseguiu um respiro ao realizar diálogos prévios com representantes de caminhoneiros que ameaçam realizar uma greve em escala nacional ao criticarem o aumento do diesel e a ineficácia das ações do Executivo. Uma reunião entre auxiliares de Lula e essas lideranças deve ocorrer nos próximos dias.
O Plano Brasil Soberano foi lançado pelo governo federal em agosto de 2025 com linhas especiais de financiamento para contrabalançar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Na semana passada, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que havia a necessidade de um Brasil Soberano 2 porque algumas empresas ainda estão com tarifas acima de 15%, a mínima que os EUA impuseram a todos os parceiros comerciais. "Alguns setores estão com tarifa de 50%, para o setor siderúrgico, setor alumínio, cobre e, também, na indústria automotiva, 25%, em autopeças", argumentou.
Mercadante comentou que o banco ainda conta no caixa com recursos que não foram utilizados e, portanto não haveria impacto direto no Orçamento. Segundo ele, há uma sobra de R$ 6 bilhões de recursos destinados ao programa e que não podem ser usados diretamente pelo BNDES em outra destinação.