Governo deve mobilizar R$250 bi em quatro anos em investimentos sustentáveis

2 mar 2026 - 17h53

O governo do presidente ‌Luiz Inácio Lula da Silva fechará este mandato com atração de mais de R$250 bilhões em investimentos sustentáveis, tendo como foco em 2026 consolidar projetos já lançados, disse Tatiana Rosito, que deixou nesta segunda-feira o comando da secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda.

De partida para o Banco Mundial, onde assumirá um cargo ⁠de diretoria na Ásia a partir de julho, Rosito afirmou à Reuters que o ‌Brasil criou um leque de instrumentos financeiros colocados como vitrine do país nas presidências do G20, do Brics e da COP30, tendo agora como prioridade a ‌implementação dos sistemas e atração de recursos, e ‌não a construção de novos consensos para outras ferramentas.

Publicidade

Os planos de ação ⁠da pasta foram alinhados com seu sucessor na secretaria, Mathias Alencastro, e farão parte de um documento a ser lançado nos próximos dias com um balanço de gestão e as perspectivas para atuação até o fechamento de 2026, destacou a ex-secretária.

Olhando para o que já foi implementado, Rosito disse que as políticas e programas ‌lançados ajudaram a recolocar o Brasil como ator relevante no palco global, com pares ‌enxergando a maior economia da ⁠América Latina como um ⁠país que conseguiu passar do discurso à prática.

Isso passou pela construção de um arcabouço e ⁠posterior lançamento de títulos soberanos sustentáveis no ‌mercado internacional e pelo lançamento ‌do EcoInvest, programa que visa a atração de capital privado mirando o financiamento de projetos sustentáveis.

Rosito também citou a importância de o país ter lançado sua Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica, batizada de ⁠BIP, elencando projetos sustentáveis em busca de financiamento.

Publicidade

Após a iniciativa ter recebido o pontapé em 2024, durante a presidência brasileira do grupo das maiores economias, o G20, o país se engajou na criação de um hub de plataformas no ano passado, durante a presidência da COP, ‌mirando a troca de experiências e cooperação entre países do sul global para o financiamento sustentável e climático.

Na ocasião, mais de 15 países anunciaram que lançariam plataformas ⁠nos mesmos moldes, como Colômbia, Nigéria e África do Sul.

"A gente está construindo e construiu um sistema basicamente do zero, um sistema inovador que é reconhecido, um ecossistema de finanças sustentáveis que está viabilizando investimentos concretos e a dinamização de setores emergentes estratégicos para o Brasil."

A secretária avaliou que o tema do desenvolvimento sustentável foi "quase apagado" da agenda de parte dos fóruns internacionais, sobretudo o G20, presidido neste ano pelos Estados Unidos, e defendeu que o Brasil e parceiros continuem se manifestando a favor dessa agenda.

No Banco Mundial, Rosito assumirá o posto de diretora de China, Coreia e Mongólia, baseada em Pequim. Alencastro, que era assessor especial do ministro Fernando Haddad para assuntos internacionais, já foi nomeado para o comando da secretaria, em troca antecipada pela Reuters na sexta-feira.

Publicidade
Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se