O Ministério da Agricultura confirmou um foco isolado da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). Cerca de 6 mil aves serão sacrificadas e medidas de contenção já monitoram 133 propriedades vizinhas. O governo notificará a OMSA e parceiros comerciais, mas destacou que as exportações não foram interrompidas e que o consumo de carne de aves permanece seguro, sem oferecer riscos à população humana. Este é o segundo caso registrado da doença no Brasil.
BRASÍLIA E SÃO PAULO - O Ministério da Agricultura confirmou nesta segunda-feira, 19, um foco da Doença de Newcastle (DNC), doença viral que afeta aves, em produção comercial em perus em Nova Itaberaba, oeste de Santa Catarina. A confirmação foi feita em entrevista à imprensa realizada na sede da pasta.
O foco está sendo controlado pelo serviço sanitário com base no protocolo previsto no "Plano de Contingência de Influenza Aviária e Doença de Newcastle".
O ministro da Agricultura, André de Paula, destacou que a identificação do caso ocorreu no âmbito da vigilância ativa, o que, segundo ele, demonstra a eficiência do sistema de defesa agropecuária. "Não foi fruto de uma suspeita, não foi fruto de uma vigilância ativa que prova a eficiência do sistema agropecuário", afirmou. O caso foi confirmado na noite deste domingo. De Paula destacou ainda que o consumo de produtos avícolas segue seguro à população, sem contraindicações. "O consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas", afirmou.
A granja comercial de perus, em que foi confirmado um foco da Doença de Newcastle, abriga aproximadamente 6 mil aves que serão eliminadas, e nenhuma ave saiu da propriedade, afirmou o ministro. Segundo ele, as medidas sanitárias de suspensão das atividades da granja foram adotadas imediatamente após a confirmação do foco, na noite de domingo.
Ao todo, 133 propriedades localizadas na área perifocal estão sendo acompanhadas pelas equipes de defesa agropecuária. A área de restrição sanitária abrange os municípios de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias, em Santa Catarina.
A investigação começou em 21 de setembro, quando foi realizada coleta de material em uma propriedade rural em Nova Erechim, no âmbito de ações de vigilância ativa. Em 14 de outubro, o resultado inicial das análises indicou a necessidade de investigação complementar, e novas amostras foram encaminhadas para confirmação. O resultado positivo para a Doença de Newcastle foi confirmado na noite de domingo, segundo as informações apresentadas pelo Ministério da Agricultura.
De Paula destacou que o foco foi identificado por meio de vigilância ativa, o que, segundo ele, demonstra a robustez do sistema sanitário brasileiro. O ministro também elogiou a rapidez e a transparência das ações adotadas pelas equipes de defesa agropecuária.
"Estamos trabalhando desde o primeiro momento com toda a defesa agropecuária do Estado de Santa Catarina", afirmou. Ele acrescentou que conversou com o governador catarinense, Jorginho Mello (PL), na manhã desta segunda-feira. De acordo com o ministro, o governador já estava ciente do ocorrido e havia se reunido com sua equipe para tratar do caso. "Nós estamos trabalhando juntos nessa questão. Essa parceria é muito importante", disse.
A suspeita constava como investigação em curso em produção doméstica de perus na plataforma de acompanhamento de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves do Ministério da Agricultura. De acordo com a plataforma, o atendimento ao caso, ou seja, a coleta de material, foi registrado em 14 de outubro. O foco foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo (LFDA-SP), reconhecido como unidade de referência para influenza aviária e DNC pela Organização Mundial de Saúde Animal.
Conforme o secretário substituto da Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, o caso será notificado até amanhã à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Até o momento, a avaliação é de que o caso tende a ser isolado. "Entendemos que se trata de um caso bastante restrito. Não podemos afirmar categoricamente, mas não temos suspeita de ser evento em maior escala", afirmou.
De acordo com o secretário substituto de Comércio e Relações Internacionais, Rafael Requião, até o momento não há nenhuma interrupção no comércio internacional dos produtos avícolas. Os países importadores de produtos avícolas brasileiros serão comunicados diretamente pelo Ministério da Agricultura.
"Faremos notificação do caso de Newcastle aos países parceiros. Atuaremos com autoridades sanitárias dos outros países para minimizar eventuais impactos", disse Requião. O governo brasileiro adotará eventuais suspensões das exportações conforme o acordado no protocolo bilateral com cada país importador, segundo os secretários.
Este é o segundo caso já registrado de Newcastle em produção comercial no Brasil. O primeiro foi em 17 de julho de 2024, quando um caso foi identificado em um estabelecimento de avicultura comercial de corte em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o foco foi debelado em menos de dez dias após a confirmação, com a notificação de conclusão em 25 de julho daquele ano. As suspeitas na época eram de contaminação em virtude dos efeitos das enchentes registradas no Estado.
A Doença de Newcastle é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres e causa sinais respiratórios seguidos por manifestações nervosas. É uma doença de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A DNC não é transmitida ao consumo de produtos avícolas inspecionados, que permanece sem contraindicações.
Lula foi informado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está ciente da ocorrência de um foco da Doença de Newcastle em granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, segundo o ministro da Agricultura, André de Paula.
"Comuniquei imediatamente o presidente após a confirmação do caso na noite de domingo. Ele recomendou que seguíssemos com transparência e celeridade para fazer com que o Brasil todo possa acompanhar essas informações", afirmou De Paula.
De Paula disse que vai informar Lula diariamente sobre a evolução da contenção e as medidas adotadas. "O presidente Lula tem muita confiança e eu também no trabalho que é feito aqui. O fato de estarmos cumprindo rigorosamente um protocolo que é muito respeitado e que, desse protocolo rigoroso e respeitado, deriva a confiança que o Brasil merece hoje no mundo inteiro nas questões que dizem respeito à defesa agropecuária", comentou.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também foi comunicado da ocorrência pelo Ministério da Agricultura. "Trabalharemos junto com o governo estadual e com o setor produtivo. Nesse momento, nós temos de estar unidos ", acrescentou o ministro, citando a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). "Também estamos tomando as providências em relação à Organização Mundial de Saúde (OMSA) e em relação aos nossos parceiros", observou o ministro.