O Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,3% para 2,0%, prevendo desaceleração na agropecuária e na indústria, embora o mercado de trabalho siga aquecido. Para 2027, a estimativa do PIB caiu de 2,5% para 2,3%. A previsão para a inflação oficial (IPCA) em 2026 também recuou, passando de 5,1% para 4,9%, beneficiada pela queda nos preços de alimentos e pela política monetária restritiva, mas ainda permanece acima do teto da meta. Para 2027, o IPCA subiu para 3,8%.
BRASÍLIA - O Ministério da Fazenda reduziu a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 de 2,3% para 2,0%. A estimativa para o ano que vem caiu de 2,5% para 2,3%. As informações constam do Boletim Macrofiscal de setembro, publicado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta terça-feira, 22.
As projeções da SPE continuam acima das medianas do último relatório Focus, que indicavam crescimento de 1,88% para o PIB em 2026 e de 1,43% para 2027.
Na comparação interanual, projeta-se crescimento de 1,8% no terceiro trimestre de 2026 ante 2,0% no segundo. A pasta vê uma desaceleração esperada puxada tanto pela agropecuária, cujo crescimento caiu de 6,8% no segundo trimestre para 3,7% no terceiro trimestre, quanto pela indústria, que cai de 1,5% para 1,3%. Na margem, com ajuste sazonal, projeção do PIB é de 0,2% no terceiro trimestre, com recuo de 0,7% do agro, aceleração de 0,6% na indústria e 0,4% dos serviços.
A SPE ressaltou que o mercado de trabalho segue como principal sustentação da demanda doméstica, com patamar de desocupação historicamente baixo e massa real de rendimentos ainda em expansão. As concessões de crédito a pessoas jurídicas também seguem crescendo na comparação interanual.
Em relação à atividade econômica, a Fazenda reiterou que os indicadores econômicos disponíveis só vão até julho, mas vê indícios de uma perda de fôlego em relação ao ano anterior, tanto na indústria, cujo crescimento no trimestre móvel caiu de 1,5% para 0,4%, quanto nos serviços, que caiu de 1,7% para 1,2%.
"O varejo ampliado manteve o ritmo e a construção reduziu a queda, sem compensar a desaceleração dos setores de maior peso, e o IBC-Br ficou estável em 1,5%. Na margem, julho trouxe recuperação parcial depois de um junho fraco, com alta na indústria, na construção e no varejo, mas o IBC-Br voltou a recuar", disse a SPE.
Apesar da redução de 2,5% para 2,3% nas projeções para 2027, a SPE afirma que para o período de 2028 a 2030, a previsão de crescimento seguiu em 2,6%, em média, incorporando impactos graduais das reformas estruturais em curso.
Pasta reduz projeção de inflação
O Ministério da Fazenda reduziu a sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 5,1% para 4,9%, ainda acima do teto da meta, de 4,5%.
A expectativa da SPE para a inflação deste ano converge com a mediana do último relatório Focus, divulgado ontem, que indica que o IPCA deve ficar em 4,92% neste ano.
"A revisão para baixo decorre dos resultados do IPCA até julho, que ficaram, em parte, abaixo do projetado na grade anterior, especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços", justifica a SPE.
De acordo com a SPE, a revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026.
A pasta coloca que a projeção também considera fatores de influência altista. "O El Niño pode pressionar os preços dos alimentos in natura ainda este ano, embora seus efeitos mais significativos devam se concentrar na safra de 2027", sustenta.
No cenário externo, entre as grades de julho e setembro, a SPE diz que a intensificação do conflito no Oriente Médio elevou as incertezas quanto aos impactos de segunda ordem da alta do preço do petróleo sobre outras cadeias produtivas. Nesse período, a cotação média do petróleo projetada para 2026 subiu de US$ 79,16 para US$ 87,70 por barril, alta de aproximadamente 10,8%.
Combustíveis
A projeção da SPE para o IPCA não incorpora as medidas recentes de alívio nos preços dos combustíveis. No caso da gasolina, as alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins foram reduzidas em R$ 0,63 por litro, em substituição à subvenção de R$ 0,44 por litro. Para o etanol hidratado, as duas contribuições foram zeradas, resultando em uma redução da carga tributária de R$ 0,19 por litro.
Segundo as estimativas do Ministério da Fazenda, a desoneração da gasolina e do etanol hidratado, sem considerar a subvenção ao diesel, tem potencial para reduzir o IPCA em aproximadamente 0,15 ponto porcentual.
Para 2027, a expectativa de inflação foi revisada para cima, passando de 3,6% para 3,8%, refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano. "Além dos efeitos de segunda ordem do El Niño sobre as carnes, a possível reversão do ciclo pecuário, com maior retenção de fêmeas, gera um risco de elevação de preços ainda maior para esse item", afirma a SPE. O Focus projeta que a inflação encerre 2027 em 4,30%.
Para os anos seguintes, projeta-se inflação convergindo para a meta, em 3,0% em 2028, 2029 e 2030.
A projeção da Fazenda para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2026 passou de 5,3% para 5,1%. Para 2027, a previsão para o INPC subiu de 3,7% para 3,9%.
Para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), a estimativa foi de 5,6% para 5,0% em 2026. Em relação à expectativa para IGP-DI de 2027, ficou inalterada em 4,0%.