O Ministério da Fazenda reduziu as projeções de crescimento do PIB para 2,0% em 2026 e 2,3% em 2027, impactado pelos juros restritivos e pela desaceleração nos serviços e na indústria, apesar da alta no setor agropecuário. A expectativa é que a recuperação econômica ganhe fôlego entre 2028 e 2030, com expansão média de 2,6%. Já a estimativa para a inflação oficial (IPCA) recuou para 4,9% neste ano, refletindo o desaquecimento da atividade, mas subiu para 3,8% na previsão de 2027 devido ao El Niño.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu nesta terça-feira sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% para 2,0% neste ano e de 2,5% para 2,3% em 2027, citando efeitos do nível restritivo de juros no país.
Em seu Boletim Macrofiscal, que traz estimativas usadas para guiar a execução do orçamento, a secretaria afirmou que sua grade de parâmetros foi ajustada para prever uma taxa Selic média um pouco mais alta, "incorporando um ciclo de flexibilização marginalmente mais gradual do que o previsto".
De acordo com a SPE, a revisão para o crescimento deste ano incorpora um resfriamento mais concentrado no setor de serviços, que deve crescer 1,8%, abaixo dos 2,4% estimados há dois meses. A SPE ainda reduziu de 2,1% para 1,7% a projeção de crescimento da indústria. O dado da agropecuária subiu de alta de 1,8% para 2,8%, compensando apenas parcialmente a queda nos outros setores.
A SPE acrescentou que a revisão para o PIB de 2027, motivada por um ciclo mais gradual de corte dos juros, deslocou a recuperação econômica para os anos seguintes. A pasta prevê altas em torno de 2,6% na atividade de 2028 a 2030.
INFLAÇÃO
Na visão da SPE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 4,9%, contra 5,1% previstos em julho, refletindo dados melhores do indicador nos últimos meses.
"Para os próximos meses, espera-se alguma acomodação das pressões inflacionárias sobre os serviços, em linha com a desaceleração da atividade e a gradual acomodação do mercado de trabalho", disse o documento, apontando que as condições financeiras ainda restritivas no país também devem contribuir para esse movimento.
Já a inflação no próximo ano deve ser de 3,8%, acima da previsão anterior de 3,6%, segundo a pasta.
O país tem uma meta contínua de inflação de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos -- de 1,5% a 4,5%.
Na avaliação da secretaria, o fenômeno El Niño pode pressionar os preços de alimentos ainda este ano, mas seus efeitos mais significativos devem se concentrar na safra de 2027.