BRASÍLIA - As exportações brasileiras de produtos agropecuários alcançaram US$ 10,8 bilhões em janeiro, informou o Ministério da Agricultura, em nota técnica. O valor é 2,2% inferior ao obtido no ano anterior, o equivalente a uma queda de US$ 244 milhões ante os US$ 11 bilhões registrados um ano antes. O setor representou 42,8% dos embarques totais do País no último ano, em comparação com 43,3% de 2024.
Apesar da queda, o número é o terceiro maior registrado para janeiro da série histórica. O resultado do setor, segundo a pasta, foi pressionado pela queda de 8,6% nos preços médios dos produtos exportados, apesar do aumento de 7% no volume de produtos comercializados ao exterior.
"A cesta de alimentos que compõem o Índice de Preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) caiu 0,4% em janeiro em relação a dezembro ou 0,6% na comparação anual. Já a cesta de alimentos que compõem o índice de preço dos alimentos do Banco Mundial teve uma redução de 3,1% na comparação anual. Com efeito, as duas instituições apontam para quedas nos preços, fator que teve influência preponderante para a diminuição do valor exportado pelo Brasil", explicou o ministério em nota técnica da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais.
A pasta destacou ainda que as proteínas animais apresentaram recorde de exportação, com a carne bovina in natura sendo o item de maior valor exportado no mês com US$ 1,3 bilhão comercializado ao exterior. Os seis principais setores exportadores do agronegócio brasileiro no último mês foram carnes (US$ 2,58 bilhões); complexo soja (US$ 1,66 bilhão); produtos florestais (US$ 1,38 bilhão); cereais, farinhas e preparações (US$ 1,12 bilhão); café (US$ 1,10 bilhão) e complexo sucroalcooleiro (US$ 750 milhões). Juntos, estes setores responderam por 79,8% do total embarcado pelo agronegócio em janeiro, somando US$ 8,6 bilhões.
Entre os destinos, a China se manteve como a principal importadora de produtos do agronegócio brasileiro no mês passado, com US$ 2,16 bilhões comercializados ao país asiático, 20% das exportações do setor, 5,4% mais que em 2024. Na sequência, está a União Europeia, com US$ 1,69 bilhão exportados, 15,7% do total, 11% menos que em 2025, e Estados Unidos, com US$ 705,54 milhões, 6,6% do total e 31% menos que no ano anterior.
Ao longo do último mês, cresceram as exportações de produtos agropecuários brasileiros para Emirados Árabes Unidos, Turquia, Filipinas, Irã, Iêmen, Iraque, Chile, Arábia Saudita, Japão e Marrocos. "As exportações do agronegócio brasileiro para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), que cresceram 5,7% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, indicando avanço em um bloco que reúne mercados relevantes do Sudeste Asiático e formado pelos seguintes países: Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Singapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã", ressaltou o ministério.
No último mês, o País desembolsou US$ 1,633 bilhão com a importação de produtos agropecuários, queda de 11,2% ante 2024. Os principais produtos agropecuários importados pelo Brasil em janeiro foram: papel, trigo, salmão, fibras e produtos têxteis.
"A redução nas importações de cacau inteiro ou partido foi o que mais contribuiu para esse resultado, uma vez que foram importados US$ 81,33 milhões a menos do que o mesmo mês em 2025. Outros itens que registraram forte queda foram trigo, com US$ 58,55 milhões a menos do que havia sido registrado previamente, e o malte, com US$ 31,38 milhões a menos do que janeiro de 2025", enfatizou o ministério. Além disso, foram importados inúmeros insumos necessários à produção agropecuária: fertilizantes (US$ 940,0 milhões; +1,1%); defensivos agrícolas (US$ 301,3 milhões; -26,4%), ressaltou a pasta.
O saldo da balança comercial do setor ficou positivo em US$ 9,12 bilhões no último ano, abaixo dos US$ 9,16 bilhões de 2024.