EXCLUSIVO-Órgãos reguladores do setor bancário intensificam fiscalização da IA, dizem fontes

13 out 2026 - 10h08
Resumo
Reguladores bancários dos EUA e da Europa intensificaram a fiscalização sobre o uso de inteligência artificial pelas instituições financeiras, motivados por temores de ataques cibernéticos e riscos à estabilidade global. Autoridades questionam a autonomia desses sistemas, o uso de tecnologias estrangeiras e a capacidade de controle dos bancos. O alerta surge após recentes invasões a serviços com agentes de IA e avisos de entidades como o FMI sobre ameaças às operações do mercado.

Órgãos reguladores do setor bancário estão intensificando os esforços para conter os riscos crescentes relacionados à inteligência artificial, segundo seis pessoas a par do assunto, com algumas delas apontando para o risco de ataques cibernéticos a bancos ou de agentes desonestos que possam comprometer a estabilidade financeira global.

O escrutínio regulatório, cujos novos detalhes estão sendo divulgados aqui pela primeira vez, reflete o ⁠crescente reconhecimento de que os avanços na IA de ponta podem exigir investimentos onerosos em recuperação cibernética, ‌maior atenção às dependências de fornecedores externos de tecnologia e, em algumas jurisdições, orientações regulatórias mais formais, disseram as fontes.

Publicidade

Três dos principais órgãos reguladores dos Estados Unidos, incluindo o Federal ‌Reserve, estão questionando os bancos sobre o uso de modelos ‌avançados de inteligência artificial, disseram duas dessas pessoas à Reuters, o que se soma ⁠ao escrutínio anterior.

As perguntas incluem se eles utilizam tecnologia desenvolvida na China, se empregam agentes de IA na defesa cibernética e se são capazes de controlar sistemas cada vez mais autônomos, afirmaram três dessas pessoas.

Na Europa, órgãos de supervisão, incluindo o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu, estão pressionando os bancos a aprimorar seus planos de recuperação, preocupados com a possibilidade ‌de que os rápidos avanços na IA possam causar sérios danos e perturbações nos mercados financeiros mais ‌cedo do que se temia ⁠anteriormente, disseram três pessoas ⁠a par dessas considerações.

Um executivo graduado de um grande banco europeu disse que eles também estão preocupados com ⁠possíveis danos graves aos mercados bancários e financeiros nos ‌próximos seis meses.

Publicidade

O debate sobre ‌a supervisão da IA se intensificou em meio a alertas do setor após incidentes recentes, com o presidente-executivo do JPMorgan , Jamie Dimon, instando líderes corporativos a se unirem a um grupo setorial com foco nos EUA para lidar com os riscos da IA, informou ⁠a Reuters.

A empresa norte-americana de segurança cibernética CrowdStrike afirmou este mês que uma pessoa na China provavelmente utilizou um agente de IA desenvolvido na China e o Claude Code, da Anthropic, em um ataque a bancos sul-coreanos. Enquanto isso, agentes de IA não autorizados desenvolvidos pela OpenAI estiveram envolvidos em uma violação da plataforma de ‌IA Hugging Face, segundo reportagem da Reuters.

Pesquisadores da Anthropic alertaram que sistemas de IA cada vez mais poderosos poderiam, eventualmente, escapar do controle humano e até mesmo representar uma ameaça existencial, ⁠o que gerou pedidos por uma regulamentação mais rigorosa.

O Fundo Monetário Internacional alertou nesta terça-feira contra a "complacência" nos mercados financeiros globais, citando vários riscos, incluindo a possibilidade de um ataque cibernético. O FMI afirmou que um grande ataque que afete um serviço essencial ou uma instituição financeira poderia minar a confiança e fez um apelo aos formuladores de políticas para reforçarem a capacidade de segurança cibernética.

Publicidade

Os bancos estão competindo para adotar a IA autônoma, capaz de realizar tarefas com supervisão humana mínima, ao mesmo tempo em que enfrentam os desafios de novos modelos, incluindo vulnerabilidades de TI sinalizadas pela ferramenta Mythos, da Anthropic.

"A adoção da IA muitas vezes está superando a capacidade de implementar os controles necessários", disse Michael Woodbridge, sócio de segurança cibernética da Grant Thornton em Londres.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações