Representantes do governo dos Estados Unidos e do setor privado brasileiro defenderam a cooperação entre os dois países em projetos ligados a minerais críticos durante evento promovido pela Amcham, em São Paulo, nesta quarta-feira, 18. O encontro teve a presença do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), mas não contou com integrantes do governo federal.
O seminário ocorre ao longo de todo o dia na sede da entidade e reúne cerca de 200 participantes, entre representantes do setor público e privado, mas a imprensa teve acesso apenas à abertura. Uma das palestras fechadas ao público teve a participação de David Copley, conhecido como "czar de terras raras".
Na semana passada, o Brasil revogou o visto de Darren Beattie, que também participaria do evento e pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso.
Ao ser questionado sobre a ausência de representantes do governo federal, um porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que falou sob condição de anonimato, afirmou apenas que a participação de integrantes da União "foi priorizada", sem detalhar se houve convite ou recusa.
Segundo o porta-voz, o evento contou com forte presença do setor privado brasileiro e também buscou avançar no diálogo com atores subnacionais. "Estamos explorando a possibilidade de parceria com líderes subnacionais no Brasil e também está em comunicação com o governo federal, convidando para participar desses diálogos sobre minerais críticos", disse.
Presente no evento, Caiado fez críticas à atuação do governo federal no tema e afirmou que a União "pensa pequeno" em uma área estratégica como a de minerais críticos. Segundo ele, o Brasil deveria priorizar o diálogo com os Estados Unidos para atrair investimentos e avançar em tecnologia, com contrapartidas que impulsionem inovação e agregação de valor.
Mais cedo, Caiado participou da assinatura de um memorando de entendimento entre o governo de Goiás e os Estados Unidos voltado à cooperação na exploração de minerais críticos e terras raras. A iniciativa prevê o avanço em pesquisas conjuntas e no desenvolvimento tecnológico. O governo americano já mapeou cerca de 50 projetos no Brasil com potencial de desenvolvimento no setor, segundo interlocutores.
Potencial
Durante a abertura do evento, o vice-presidente sênior para as Américas da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Neil Herrington, afirmou que as oportunidades no setor de minerais críticos são grandes demais para serem travadas por questões políticas. "Do ponto de vista estratégico, econômico e de investimento, faz muito sentido para ambos os países avançarem nessa agenda", disse.
Já o encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, destacou o potencial do País e classificou o Brasil como uma "superpotência subestimada". Segundo ele, apenas cerca de 27% dos recursos minerais estão mapeados, o que indica espaço relevante para expansão.
Na avaliação do presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, os minerais críticos estão no centro de transformações estruturais da economia global, ao conectar inovação tecnológica, transição energética e segurança nacional.
"O setor privado é o coração dessa cooperação", afirmou, acrescentando que atender à demanda global exigirá mais de US$ 2 trilhões em investimentos nos próximos 15 anos.