Estoques de suco de laranja do Brasil saltam com queda na demanda após preços altos, diz CitrusBR

4 mar 2026 - 05h26

Os estoques de suco ‌de laranja brasileiro no mundo fecharam o ano passado com alta de 75,4% em relação a 2024, no maior nível desde 2021, com um recuo na demanda em função de altos preços e uma recuperação na safra, informou nesta quarta-feira a associação de exportadores CitrusBR.

O volume de ⁠estoques em 31 de dezembro de 2025 atingiu 616.460 toneladas, após o ‌maior exportador global de suco de laranja lidar com safras menores por alguns anos, que culminaram em 2024 no menor nível de suco ‌estocado de uma série histórica da CitrusBR ‌que remonta a 2012, quando se registrou uma máxima de ⁠mais de 1,1 milhão de toneladas.

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Em 2024/25, a principal região produtora de laranja do Brasil teve a sua segunda menor safra em 37 anos, colaborando para elevar os preços a patamares nunca vistos acima de US$5/libra-peso na bolsa de Nova York. Em 2025/26, cuja colheita está quase finalizada, ‌houve uma alta de mais de 25% na produção da fruta ante ‌o ciclo anterior.

Mas a ⁠disparada nas cotações ⁠em 2024 afetou a demanda por suco, que ainda não se recuperou, sendo um ⁠fator ainda mais importante para ‌explicar o aumento dos estoques, ‌afirmou a CitrusBR, que representa as empresas Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company.

"São dois pontos (que explicam o aumento dos estoques)... aumento de safra e queda na demanda. Contudo, a queda na demanda tem ⁠hoje uma influência maior, principalmente na Europa", disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, à Reuters.

Ele lembrou que no acumulado da safra 2025/26 até janeiro, as exportações para os europeus, tradicionalmente os maiores clientes do suco do Brasil, recuaram 13%.

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"O ‌aumento dos estoques reflete, no agregado, a acomodação da demanda em mercados-chave após o período de preços elevados observado na safra anterior", completou ⁠Netto.

As cotações internacionais "recuaram de forma expressiva", oscilando agora em torno de US$1,8/libra-peso em Nova York, mas a demanda ainda não se recuperou.

"Em cadeias globais, movimentos de preços podem levar algum tempo para se refletirem integralmente no varejo, por fatores como contratos, estoques e dinâmica de distribuição", explicou.

"À medida que esses ajustes ocorram, pode haver recuperação ao menos parcial da demanda, a depender das condições de mercado", completou.

O levantamento divulgado pela CitrusBR foi realizado por meio de auditorias independentes junto a cada uma das empresas associadas da entidade e, posteriormente, consolidado de forma sigilosa por auditoria externa.

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Os volumes dos estoques globais foram convertidos em suco de laranja congelado e concentrado (66° Brix).

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