BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira, 6, que o cumprimento de promessas de campanha seja feito de maneira responsável e com sustentação. O ministro citou a aprovação de projetos como o aumento da isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil.
"(Escutei): 'Haddad é uma promessa, tem de fazer e ponto'. Eu sei, companheiro. Eu não estou dizendo que não vou fazer. Eu estou pedindo tempo para fazer direito (...) Vou trabalhar para a gente fazer uma coisa sustentável. Estou pedindo tempo para fazer bem feito", declarou em Salvador (BA), durante evento de celebração do aniversário de 46 anos do PT.
Em tom eleitoral, Haddad afirmou que o grupo cumprirá a "promessa de campanha do jeito certo", mas voltou a dizer que ainda estuda como mitigar a tarifa zero para transporte público antes de incluir no plano de governo.
"A escala 6x1 não tem impacto fiscal. Mas, por exemplo, as tarifas zero têm. Então, eu preciso desenhar um programa que tenha consistência. Se não tiver consistência, vai ter de voltar atrás. Agora, se for uma coisa consistente, sustentável, como é que vamos financiar o transporte público se não for por tarifa?", perguntou.
"Tem jeito? Tem. Temos de desenhar isso. Não é uma coisa simples abdicar da tarifa para financiar um serviço público. Mas estamos trabalhando em cenários que permitirão ou não ao presidente incluir, ou não, essa proposta do seu plano de governo", continuou.
Haddad disse também que nenhuma medida da Fazenda visou à "concessão para A, B ou C", mas para construir uma trajetória sustentável dos indicadores econômicos.
Afirmou ainda que sempre defendeu a reorganização das contas públicas. "Se eu estiver aqui ou na Faria Lima, vou estar falando a mesma coisa, porque senão você não vai ter credibilidade. Sou a favor, desde o começo do governo, da reconstrução das contas públicas."
Haddad voltou a criticar a condução econômica do governo Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que o Brasil não está numa "situação normal" de alternância de poder, por conta das medidas adotadas pelos adversários.
"Não estamos numa situação normal, em que você tem uma alternância no poder e você tem uma mudança de trajetória, mas consistente com uma visão de bem-estar, uma visão de enfrentamento das mazelas sociais", falou.