O Brasil registrou recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas até julho, com queda no desemprego. No entanto, a persistência da inflação, acumulada em 4,24% em 12 meses e acima da meta oficial de 3%, turva o cenário econômico. Alimentada pelo desequilíbrio fiscal e sem propostas claras de ajuste na campanha eleitoral, a alta de preços corrói o poder de compra das famílias, limitando os benefícios gerados pelo avanço do mercado de trabalho.
O emprego aumentou e 103,3 milhões de trabalhadores tiveram ocupação no trimestre encerrado em julho. Foi um recorde para esse período, na série iniciada em 2012. O rendimento médio recebido no trabalho principal ficou estável em relação aos três meses anteriores. O contingente de empregados no setor privado, 53,2 milhões, também foi o maior da série, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de trabalhadores por conta própria, 26,1 milhões, ficou estável.
Os desocupados, 5,8 milhões de trabalhadores, diminuíram 87% em relação ao trimestre anterior e 4,9% em comparação com igual período do ano passado. A população desalentada, isto é, fora do grupo ocupado ou em busca de ocupação, correspondeu a 2,3 milhões de pessoas e encolheu 9,7% no trimestre. A mudança no quadro do emprego pode ser um indicativo da evolução econômica no período, um dado ainda sem divulgação oficial.
A inflação diminuiu enquanto o emprego aumentou. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), medido pelo IBGE e considerado uma prévia da inflação, diminuiu 0,40% em agosto e acumulou aumento de 3,09% no ano e de 4,24% em 12 meses. Apesar do recuo em relação ao período encerrado no mês anterior (4,52%), ficou ainda longe da meta oficial, 3% para períodos de 12 meses.
O governo continua devendo o esforço necessário para conter a alta de preços e garantir melhores condições de gestão do orçamento familiar. Alívios momentâneos, como a redução pontual da conta de energia produzida em Itaipu, estão longe de resolver o problema ou mesmo de atenuá-lo de forma significativa. Enquanto permanece o desajuste de preços, os benefícios do crescimento econômico chegam corroídos à maioria dos consumidores.
O mercado tem estimado para este ano uma expansão econômica próxima de 2% e inflação na vizinhança de 5%, sem perspectiva, no futuro próximo, de grande alívio na alta de preços. O desarranjo inflacionário continua alimentado principalmente pelo desarranjo das contas federais. Nenhuma proposta bem desenhada para corrigir os desajustes apareceu até agora, na campanha eleitoral.