Pesquisa do Nu Empresas revela que pequenos empreendedores dedicam cerca de nove horas semanais a tarefas burocráticas e financeiras, somando quase três meses de trabalho por ano sem gerar vendas. A sobrecarga com rotinas fiscais e controle de caixa faz com que 85% deixem de focar na estratégia do negócio. Embora a IA seja vista como alternativa, seu uso ainda é focado em comunicação, mantendo a gestão presa a planilhas e métodos manuais que afetam a lucratividade de 68% das empresas.
O pequeno empreendedor brasileiro costuma abrir o negócio para conquistar independência e autonomia financeira, mas enfrenta um desafio central: a burocracia. A conclusão reflete os resultados de uma pesquisa conduzida pela Bridge Research, encomendada pelo Nu Empresas, a conta digital do Nubank para o cliente pessoa jurídica (PJ).
Segundo o levantamento, os empreendedores dedicam, em média, nove horas por semana a tarefas burocráticas e financeiras, como pagamentos, cobranças e conciliação. O período representa 468 horas por ano, o equivalente a quase três meses de expediente sem gerar uma única venda. O quadro é ainda mais exigente para os pequenos varejistas, que gastam 11 horas semanais em burocracia. Em micro e pequenas empresas, o tempo é de dez horas semanais e, para o microempreendedor individual (MEI), oito horas.
Atividades operacionais importantes tendem a consumir parte do expediente dos entrevistados. Obrigações fiscais e tributárias absorvem tempo de 43% dos pequenos empresários, seguidas de controle de entradas e saídas (41%), emissão de notas fiscais (40%) e conciliação dos recebimentos (30%). Com isso, 85% afirmam ter deixado de fazer trabalhos estratégicos por estarem sobrecarregados, enquanto 68% reconhecem que o negócio seria mais lucrativo com menos burocracia.
"O mundo financeiro é um emaranhado de conceitos a serem entendidos, e isso causa uma ansiedade entre empreendedores", afirmou o vice-presidente de Nu Empresas, Maximiliano Damian, em evento para apresentar a pesquisa. "Quanto mais simplificarmos e diminuirmos a burocracia, melhor é a chance de o negócio prosperar", diz.
A inteligência artificial surge como uma ferramenta que pode otimizar esses processos, mas a maioria dos empreendedores concentra seu uso na comunicação com clientes. Segundo a sondagem, 68% dos donos de empresas recorrem à IA para redigir textos e 63% para produzir imagens e vídeos, enquanto apenas 30% a utilizam para tarefas financeiras ou administrativas. Mais da metade gerencia o fluxo de caixa em planilhas, e 23% utilizam anotações manuais em papel e caderneta.
A pesquisa ouviu 1,2 mil donos de pequenos negócios em todo o Brasil, entre clientes e não clientes do Nubank, em julho deste ano.
Limite transacional
Diante dos achados da pesquisa, o Nu Empresas está expandindo para toda a base elegível a funcionalidade de limite transacional, que permite aos donos de contas PJ definir quanto cada funcionário pode movimentar. Os responsáveis passam a ter mais controle ao delegar atividades como pagamentos e transferências.
O Nubank tem hoje mais de 6,8 milhões de clientes pessoa jurídica, a maior base de CNPJs entre instituições financeiras no Brasil. Como mostrou reportagem do Estadão/Broadcast em julho, a fintech tem trabalhado para crescer além de MEIs e mira micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Entre as ferramentas mais utilizadas, 77% usam a Caixinha para um objetivo, 63% para planejamento e 18% para rotina financeira, como fluxo de caixa, capital de giro e pagamentos.