Governistas contam com Alcolumbre para 'furar a bolha' e aprovar em 1º turno a PEC do fim da 6x1

Petistas dizem que apoio de aliados derrotados nas urnas à proposta está mantido e que avaliam momento adequado de solicitar calendário especial, que pode acelerar votação do texto

8 out 2026 - 12h01
Resumo
Aliados do governo Lula apostam na articulação de Davi Alcolumbre para atrair votos de centro e aprovar, em primeiro turno já na próxima semana, a PEC que extingue a jornada 6x1. A proposta, que exige 49 votos no Senado, enfrenta resistência da oposição liderada por Flávio Bolsonaro, que apoia uma alternativa de jornada flexível e acusa o Executivo de oportunismo eleitoral. Governistas articulam acelerar a tramitação para emparedar opositores antes do segundo turno das eleições.

BRASÍLIA - Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostam na capacidade de articulação de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, para conquistar o apoio de parlamentares de centro e aprovar na próxima semana, em primeiro turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho e um de folga).

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A PEC é bandeira eleitoral de Lula e enfrenta resistência da oposição, que tenta barrar a discussão para esvaziar o ativo eleitoral do petista. Lula terminou o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu rival na disputa à Presidência.

Governistas afirmam que, pelas contas de Alcolumbre, há apoio suficiente para aprovar o texto no primeiro turno de votação, que pode acontecer na semana que vem. Segundo eles, o presidente do Senado ajuda a "furar a bolha" da esquerda. A PEC exige o apoio de pelo menos 49 senadores, em cada um dos dois turnos de votação.

Eles reconhecem que a derrota política do presidente do Senado no Amapá ainda pesa - segundo um parlamentar próximo a Alcolumbre, ele está "muito sentido" com o resultado das urnas.

No Estado, um de seus adversários políticos, Dr. Furlan (PSD), se elegeu governador e ainda emplacou a esposa, Rayssa Furlan, no Senado. Mesmo assim, governistas avaliam que Alcolumbre mantém sua força política, porque "tem muita gente na mão".

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No momento, aliados de Lula recolhem assinaturas para apresentar requerimento de calendário especial no plenário do Senado, o que permitiria acelerar a votação da PEC. Os petistas ainda avaliam o momento certo de apresentar o pedido.

Os governistas minimizam a pressão da oposição para adiar a votação para depois do segundo turno das eleições. Na avaliação deles, Alcolumbre já "pagou a conta" com o grupo ao adiar a análise da proposta para a semana seguinte ao primeiro turno.

Os aliados de Lula também descartam que a derrota de parlamentares governistas nas eleições de domingo, 4, possa atrapalhar a aprovação do texto. Segundo eles, os que não conseguiram se reeleger assumiram o compromisso de votar a favor da proposta.

Terceira sessão será nesta quinta-feira

Nesta quinta-feira, 8, os senadores participam da terceira sessão de discussão da proposta. Na terça-feira, 6, o presidente do Senado afirmou que faria as cinco sessões de debate e, a seguir, a PEC já poderia ser votada em primeiro turno.

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"E aí, neste momento adequado, cada senador e cada senadora desta legislatura terá o livre arbítrio de votar com seu coração, com a sua consciência e com a sua convicção, se acha razoável nós diminuirmos a escala de trabalho de quase 40 milhões de brasileiros que vivem na escala 6x1 há décadas, ou se acham razoável os trabalhadores brasileiros terem a condição de ter mais um dia na sua vida de descanso para viver, para ficar com a família e para descansar", disse o presidente do Senado.

"Neste dia, eu sei como eu vou votar. E cada um precisa estar preparado para, neste dia, no dia adequado do ponto de vista regimental, poder escolher com seu coração, com a sua consciência e com sua história, se vai votar a favor do fim da escala 6x1 ou se vai votar contra o fim da escala 6x1?, concluiu.

O governo tenta usar a pauta para desgastar Flávio Bolsonaro. "Quem é contra tem de se assumir perante a opinião pública brasileira", afirmou, na terça-feira, o senador Jaques Wagner (PT-BA).

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, também provocou a oposição. "Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu estou pagando para ver essa atitude", declarou.

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Flávio Bolsonaro defende outra PEC, do senador Rogério Marinho (PL-RN), que permite que trabalhadores optem por uma jornada flexível, com pagamento proporcional às horas trabalhadas.

"Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária", disse na terça-feira, em entrevista à imprensa em Brasília.

"O governo Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele", declarou.

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