Oferecimento

Durigan não descarta voltar a discutir reciprocidade caso EUA imponham novo tarifaço ao Brasil

Ministro da Fazenda também não descarta novas medidas nos moldes do programa Brasil Soberano para proteger empresas da taxação; previsão é de conclusão da investigação americana até esta quarta-feira, 15

14 jul 2026 - 21h11

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) está em contato com os representantes dos Estados Unidos sobre a questão das tarifas e não possui nenhuma informação adiantada pelos norte-americanos até o momento.

"A gente precisa primeiro avaliar se, de fato, se confirma mais essa medida despropositada para avaliar quais são os setores afetados. E a gente vai chamar os setores para dialogar e avaliar quais as condições, quais as medidas que eventualmente podem ser propostas. Mas tudo com muita tranquilidade", disse Durigan a jornalistas.

Publicidade

Como mostrou o Estadão, os EUA devem aplicar umnovo tarifaço sobre produtos importados brasileiros. A alíquota tende a ser fixada em 25%, atingindo aproximadamente 21% das exportações nacionais, com a expectativa de uma lista de exclusão para produtos que afetam a inflação americana. A avaliação é compartilhada entre integrantes do governo e representantes do setor privado.

Ministro da Fazenda também não descarta novas medidas nos moldes do programa Brasil Soberano para proteger empresas da taxação
Ministro da Fazenda também não descarta novas medidas nos moldes do programa Brasil Soberano para proteger empresas da taxação
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Questionado sobre se há possibilidade da aplicação da Lei de Reciprocidade frente aos EUA, ele afirmou que o processo chegou a ser iniciado no passado, quando houve o primeiro tarifaço da administração Donald Trump, mas o mecanismo foi interrompido quando houve uma suspensão de vários produtos brasileiros do tarifaço.

"Com isso agora, acho que é provável, uma vez consultado o presidente Lula, que a gente retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação com calma e cautelosa porque, de fato, a gente não tem confirmação de nada ainda."

A Lei de Reciprocidade Econômica permite que o País responda a medidas unilaterais adotadas por países ou blocos econômicos que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira.

Publicidade

Sobre a hipótese de edição de uma nova medida provisória (MP) nos trâmites do Brasil Soberano, o ministro disse não descartar algo nessa linha, porque o governo federal precisa proteger as empresas e os empresários brasileiros. "Mas isso vai ser feito com muita cautela para que a gente avalie de fato o impacto que, se vier, trará as empresas brasileiras", emendou.

Ao ser indagado sobre uma lista de exceções mais ampla, ele afirmou: "A ideia é mitigar, dentro de um ataque despropositado, o efeito na economia brasileira. Essa é a linha de base".

Como mostrado pelo Estadão/Broadcast, o resultado da investigação de supostas práticas desleais adotadas no comércio pelo Brasil, que deve ensejar em um novo tarifaço, pode sair ainda nesta terça-feira. A data foi sinalizada por empresários americanos a representantes do agronegócio e da indústria.

Interlocutores afirmam que o relatório final do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que conduz a investigação, tende a ser publicado no fim da noite desta terça-feira (horário de Brasília), assim como ocorrido nas ocasiões anteriores. A previsão é de conclusão da investigação até esta quarta-feira, 15, após as consultas públicas ocorridas na última semana.

Publicidade
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se