Durigan diz que plano de Flávio vende "ilusão" ao mercado e não olha para atividade e empregos

8 out 2026 - 16h32
(atualizado às 18h02)
Resumo
O ministro Dario Durigan criticou o plano econômico de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirmando que a proposta vende uma ilusão ao focar apenas no corte da dívida pública e ignorar o crescimento e o emprego. Inspirado em Javier Milei, o projeto do senador prevê ajustes fiscais drásticos que, segundo Durigan, inviabilizariam políticas públicas e retrocederiam na reforma tributária. Já Flávio defende a revisão tributária para evitar prejuízos ao fluxo de caixa das empresas.

O plano do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para ‌a presidência da República atende a uma demanda do mercado por redução da dívida pública, mas não leva em conta impactos sobre a atividade econômica e empregos, disse nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Em entrevista à CNN Brasil, Durigan, que coordena o plano econômico para reeleição do presidente Luiz Inácio Lula ⁠da Silva (PT), afirmou que agentes de mercado têm comprado uma "ilusão vazia" sobre uma ‌eventual gestão de Flávio.

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"O modelo que o Flávio está inspirado é o modelo (Javier) Milei (presidente da Argentina), que é um modelo que quer responder com ansiedade a ‌essa demanda única do mercado em relação à ‌dívida sobre PIB", disse.

"Não adianta a gente querer tratar com um medicamento ⁠de alta dosagem o tema do endividamento público e não olhar para o crescimento, não olhar para o emprego, não olhar para a balança comercial, não olhar para projetos estratégicos."

Ele afirmou que um novo governo de Lula se comprometeria a alcançar superávits primários crescentes, podendo eventualmente aumentar a velocidade das ações de ‌ajuste das contas públicas.

CAVALO DE PAU

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Na avaliação do ministro, Flávio daria um "cavalo de pau" ‌na gestão da economia ao ⁠retirar R$200 bilhões ⁠do Orçamento com medidas de ajuste fiscal, ressaltando que o candidato do PL não explicou ⁠como isso será feito. Para ele, uma ‌ação desse tipo inviabilizaria a ‌execução de políticas públicas.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que equipe de Flávio estuda alterar as correções dos benefícios da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e dos gastos obrigatórios com saúde e educação ⁠em busca de R$250 bilhões de economia nas contas públicas. Após a publicação, o senador e assessores vieram a público para negar as medidas, embora já tenham se comprometido a um duro ajuste fiscal.

Durigan disse na entrevista que a presidência de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, ‌não fez nenhuma correção de rumo fiscal e defendeu que o governo Lula organizou as contas do país.

O ministro voltou a argumentar que a elevação ⁠da dívida pública não foi causada pelos resultados fiscais, estabilizados pelo governo Lula, mas pelo elevado nível dos juros.

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Na entrevista, Durigan ainda afirmou que a campanha de Flávio propõe mudanças na reforma tributária, o que seria um retrocesso em um sistema que deve elevar a eficiência e a produtividade do país.

Flávio disse mais cedo nesta quinta que o mecanismo de "split payment" introduzido pela reforma tributária sobre o consumo deverá produzir uma "quebradeira generalizada" de empresas, argumentando que, por isso, sua equipe estuda propor a retirada desse sistema.

Com o "split payment", tributos sobre o consumo serão automaticamente transferidos ao governo no momento da transação, em vez de serem recolhidos posteriormente pelas empresas, o que, para Flávio, prejudica o fluxo de caixa das companhias.

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