O ministro Dario Durigan classificou o otimismo do mercado com a liderança de Flávio Bolsonaro no 1º turno como uma ilusão vazia. Ele alertou que a proposta da oposição de cortar R$ 200 bilhões sem detalhamento prejudicará os mais pobres, investimentos estratégicos e programas sociais. Durigan também criticou as ameaças de reversão da reforma tributária, rebateu temores sobre a dívida pública ao garantir risco zero de calote e pediu foco em propostas econômicas concretas e viáveis.
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira, 8, que a reação positiva do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais é uma ilusão barata, que não se sustenta pelas propostas econômicas de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições.
"Não vamos dar um tiro no futuro, para usar a arma que eles tanto gostam. Não vamos dizer que vamos fazer logo no primeiro ano um corte de R$ 200 bilhões sem explicar como que se faz isso", disse Durigan em entrevista à CNN Brasil. "É óbvio que isso vai prejudicar (os mais pobres), basta olhar o modelo em que o Flávio está inspirado, que é o modelo Milei, que quer responder com ansiedade a essa demanda única do mercado em relação à dívida/PIB, que nós temos que enfrentar", completou.
Durigan disse que a proposta de corte de R$ 200 bilhões apresentada por Flávio Bolsonaro, valor equivalente a toda a despesa discricionária (não obrigatória), compromete, entre outras coisas, o controle contra o desmatamento, investimentos em projetos estratégicos de defesa nacional e a descarbonização da economia.
"Cortar o que eles estão propondo acaba com políticas que consideram o novo modelo de financiamento, que olha para diminuição da poupança e cria mecanismos novos. O fundo social que foi direcionado para o Minha Casa Minha Vida não vai ter mais, o FGTS vai ficar comprometido para financiamento habitacional", disse o ministro.
Nesta quinta, Flávio negou que vá mudar a forma de reajuste para as aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para cortar gastos, se for eleito. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, essa ideia havia sido apresentada ao mercado pela equipe de econômica da campanha de Flávio.
Durigan ainda criticou as recentes falas de Flávio Bolsonaro sobre a reforma tributária do consumo. "Não é gerando fake news sobre a reforma tributária que você vai melhorar a economia do País. Eles estão dizendo que vão suspender a reforma tributária. Então, fica no modelo de hoje, que é um dos piores do mundo", disse.
"O que Flávio está propondo é ficar em 195º, entre os piores sistemas tributários do mundo, em vez de avançar, depois de quatro anos de discussão no Congresso Nacional que eles não participaram, não foram construtivos", afirmou. "O Congresso, com todas as outras bancadas, participaram e construíram uma reforma tributária que é bonita e é o grande ganho de produtividade que o Brasil vai ter nos próximos anos", completou.
Nesta terça-feira, a coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, disse que o governo dele, caso eleito, pretende acabar com o split payment - recurso da reforma tributária que recolhe impostos automaticamente no momento da compra de um serviço ou produto. O candidato do PL vem reafirmando que pretende realizar mudanças na reforma, mas sem detalhar quais.
Dívida pública
Durigan também sustentou não haver risco para quem compra a dívida brasileira, "porque a nossa dívida é toda doméstica, graças ao presidente Lula, que fez essa troca". "Por razão do presidente Lula, nós começamos a vender os nossos títulos no mercado brasileiro", defendeu.
"Não tem nenhum risco de ter calote, como se aventou na imprensa há um tempo, zero risco disso. A gente rola nossa dívida com bastante tranquilidade. Mas, sim, a gente precisa seguir fazendo um trabalho responsável na economia, para que a taxa de juros caia, que é a principal determinante do endividamento brasileiro, e a gente diminua o endividamento público. Essa é a posição do governo Lula para um próximo mandato", prosseguiu.
Por fim, ele defendeu que é preciso deixar clara a direção apontada pela campanha de Lula. "É importante deixar isso claro para o mercado, não comprar pastel de pastel de vento e comprar uma proposta concreta de quem tem capacidade de entrega e de diálogo político."