Dólar sobe a R$5,1745 com Fed vendo alta de juros e Copom sugerindo nova baixa

18 jun 2026 - 17h20
(atualizado às 17h31)

O dólar emplacou nesta quinta-feira a ‌quarta sessão consecutiva de ganhos ante o real, com as decisões sobre juros da véspera, nos Estados Unidos e no Brasil, justificando o aumento das cotações.

Enquanto o Federal Reserve passou indicações de que sua taxa de referência vai subir ainda em 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou terreno para mais cortes de juros.

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O dólar à vista fechou o dia com alta de ⁠1,25%, aos R$5,1745. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,73% ante o real.

Às 17h06, ‌o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,17% na B3, aos R$5,1820.

As decisões de política monetária do Fed e do BC na véspera, cada uma a sua ‌maneira, atuaram para o avanço do dólar ante o real.

No ‌caso do Fed, a instituição manteve na tarde de quarta-feira sua taxa de juros na ⁠faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas passou indicações de que um aumento pode ocorrer até o fim do ano. Com isso, os investidores globais elevaram as apostas de pelo menos um aumento de juros pelo Fed, possivelmente já em agosto.

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Em reação, o dólar exibiu ganhos ante a maior parte das demais divisas nesta quinta-feira, incluindo divisas de países emergentes como o real, o peso chileno, ‌a lira turca e o peso mexicano.

O real esteve durante todo o dia entre as moedas que ‌mais perdiam valor, com o mercado ⁠também reagindo negativamente ao ⁠anúncio da véspera do Copom.

O colegiado cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, e ⁠adotou na visão de alguns analistas uma postura "dovish" (mais suave ‌no combate à inflação), ao estender ‌o horizonte relevante para que a inflação possa convergir à meta de 3%.

Na prática, o BC "adiou" o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto.

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"O ⁠grande destaque ficou por conta justamente da rolagem do horizonte relevante em um trimestre à frente, sinalizando que o comitê... opta por buscar uma justificativa que sustente um corte de juros, mostrando uma postura mais propensa a riscos inflacionários", avaliou a equipe da Genial Investimentos em análise publicada após a decisão.

Assim, a perspectiva de juros mais altos nos ‌EUA, somada à possibilidade de novo corte no Brasil, torna o diferencial de juros brasileiro menos atrativo ao investimento estrangeiro, o que em tese pode prejudicar o fluxo de dólares para o ⁠país.

Em reação, o dólar à vista se reaproximou dos R$5,20 durante a sessão desta quinta-feira. Às 13h19, a divisa atingiu a cotação máxima de R$5,1909 (+1,58%).

"Recentemente, a moeda americana vinha acumulando quedas impulsionadas pelo diferencial de juros favorável ao Brasil. Agora, com a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, ocorre uma pequena realocação de recursos", comentou Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain.

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"Parte do capital deixa a bolsa brasileira e até mesmo a renda fixa local para buscar oportunidades no mercado americano", acrescentou.

No exterior, o dólar também se mantinha em alta ante as demais divisas neste fim de tarde. Às 17h17, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,44%, a 100,790.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 60.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

(Edição de Isabel Versiani)

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