O dólar segue perto da estabilidade ante o real nesta terça-feira, enquanto no exterior a moeda norte-americana sobe ante boa parte das demais divisas, após novos ataques dos Estados Unidos ao Irã reduzirem a expectativa de um acordo de paz entre os países.
Às 9h08, o dólar à vista cedia 0,13%, aos R$5,0126 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,02%, aos R$5,0175.
Na segunda-feira, a moeda norte-americana à vista fechou o dia com baixa de 0,19%, aos R$5,0193, com os investidores globais demonstrando otimismo quanto às negociações entre EUA e Irã.
Nesta terça-feira, no entanto, o noticiário vai no sentido contrário, colocando em dúvida a possibilidade de um acordo entre os países. Os EUA realizaram novos ataques contra alvos no sul do Irã durante a madrugada, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a negociação de um acordo pode "levar alguns dias". Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta terça-feira que os EUA violaram o cessar-fogo.
Em reação, o petróleo Brent voltou a subir nesta terça-feira, ainda que se mantenha abaixo dos US$100 o barril, enquanto o dólar sustentava ganhos ante divisas como o iene, o euro e a libra. A divisa norte-americana também sobe ante boa parte das moedas de países emergentes, como a rupia indiana, a lira turca e o rand sul-africano.
"Os indicadores do mercado financeiro global -- como o índice do dólar, os juros americanos e os futuros das bolsas de Nova York -- ainda não sugerem, neste momento, um movimento expressivo de aversão ao risco", avaliou Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, em comentário escrito.
"Ainda assim, o episódio da madrugada não favorece a percepção de que um acordo de paz esteja próximo e tende a aumentar a cautela dos agentes econômicos", disse.
No Brasil, a divisa norte-americana pouco se afastava da estabilidade.
"O eventual rompimento da máxima recente (R$5,09) pode engatilhar alta em direção a R$5,20", afirmou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.
"O risco ainda está elevado para recomendar venda muito expressiva. Por outro lado, a perda da região de R$4,98 promoverá nova rodada de queda do dólar por aqui", acrescentou.
Mais cedo, o Banco Central informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$1,765 bilhão em abril, acima do déficit de US$200 milhões projetado por economistas em pesquisa da Reuters. O investimento direto no país (IDP) somou US$8,912 bilhões em abril, acima dos US$5,4 bilhões projetados e mais do que compensando o rombo nas transações correntes.
(Edição de Eduardo Simões e Isabel Versiani)