Dólar cai mais de 1% sob influência do exterior e do fluxo para a bolsa

21 jan 2026 - 17h11
(atualizado às 17h27)

O dólar fechou a quarta-feira em baixa firme ante o real, superior a 1%, em meio ao recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior e ao fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira.

Notas de dólar
10/03/2023
REUTERS/Dado Ruvic
Notas de dólar 10/03/2023 REUTERS/Dado Ruvic
Foto: Reuters

O dólar à vista encerrou o dia em baixa ‌de 1,10%, aos R$5,3209, na menor cotação de fechamento desde 4 de dezembro do ano passado, quando atingiu R$5,3103. Em 2026, a divisa acumula ‌queda de 3,06%.

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Às 17h05, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 1,12% na B3, aos R$5,3320.

No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender que o país passe a controlar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca, mas abrandou a retórica ao descartar o uso da força para isso.

"As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força", disse Trump ‍na reunião anual do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. "Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força."

O discurso de Trump fez o dólar recuperar um pouco de força ante as divisas fortes no exterior, como o euro e o franco suíço, após a aversão a ativos norte-americanos vista nos últimos dias.

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Em relação às moedas de países emergentes, o discurso mais brando ‌de Trump nesta quarta-feira pesou sobre o dólar, que teve baixas firmes ante o real, o peso ‌chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, entre outros.

No Brasil, o forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa de valores acentuou o viés negativo, conforme profissionais ouvidos pela Reuters. Durante a tarde, o Ibovespa superou os 170 mil pontos pela primeira vez na história.

"A queda nos rendimentos dos Treasuries aliviou um pouco a pressão de compra (de dólares) no Brasil e está ajudando nossa moeda", comentou pela manhã Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. "Em cima disso, o fluxo para a bolsa, como ontem, (está) aumentando a oferta de dólar por aqui."

Neste cenário, o dólar cedeu ante o real durante todo o dia, tendo atingido a cotação mínima de R$5,3161 (-1,19%) às 16h32, já na reta final dos negócios.

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Durante a tarde, dados do Banco Central corroboraram a percepção recente de forte entrada de recursos no Brasil. O país registrou fluxo cambial total positivo de US$1,544 bilhão em janeiro até o dia 16, em movimento puxado pela via financeira, que acumula entradas líquidas de quase US$3 bilhões este ano, conforme o BC. Somente na última sexta-feira, dia 16, entraram no país pelo canal financeiro US$1,674 bilhão.

Os agentes também estiveram atentos nesta quarta-feira à política. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria na quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília. O cancelamento levantou dúvidas sobre as articulações da direita para as eleições de outubro.

A possibilidade de Tarcísio ser candidato à Presidência diminuiu após Bolsonaro apoiar seu filho Flávio, senador pelo PL, no fim do ano passado. No entanto, Tarcísio segue como ‌nome preferido da Faria Lima.

Pela manhã, pesquisa da Atlas mostrou que Lula lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para eleição e mantém a dianteira nas simulações de segundo turno.

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Sem efeitos diretos no câmbio, o Banco Central decretou pela manhã a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, também em liquidação.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.

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