O dólar iniciou a quarta-feira em baixa no Brasil após a diferença na corrida eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diminuir, conforme pesquisa Genial/Quaest.
No exterior, a moeda norte-americana também exibe perdas ante a maior parte das demais divisas.
Com os investidores à espera da decisão sobre juros do Banco Central, às 9h44 o dólar à vista caía 0,25%, a R$5,1174 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para setembro -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,13%, aos R$5,1510.
O dólar à vista encerrou a sessão de terça-feira com alta de 0,84%, aos R$5,1304, com a cotação refletindo o temor entre os investidores de novas sanções dos EUA contra o Brasil. Com o mercado à vista já fechado, os EUA anunciaram no fim da tarde a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Como essa foi a única sanção anunciada, houve certo alívio no mercado, conforme um operador ouvido na véspera pela Reuters, o que favorecia o recuo do dólar ante o real nesta manhã.
Além disso, a pesquisa Genial/Quaest divulgada mais cedo mostrou Lula à frente de Flávio na disputa pelo Planalto, mas com uma vantagem menor. Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio. Foram ouvidas 2.004 pessoas entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais.
No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%.
No mercado, parte dos agentes ainda avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, a piora do petista na pesquisa é vista por alguns agentes como um fator baixista para o dólar ante o real.
Além de observarem o cenário político, os investidores aguardam pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a ser divulgada após o fechamento do mercado. O consenso é de que o BC reduzirá a taxa Selic em 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade dos cortes em setembro.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil.
No exterior, a expectativa de que possa haver um novo acordo entre EUA e Irã para paralisar o conflito no Oriente Médio alimentava a busca por moedas de países emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- também cedia, para 99,696 (-0,16%).
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1 de setembro.
(Edição de Camila Moreira)