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Dólar cai ante o real influenciado por exterior e eleição no Brasil

20 out 2026 - 17h08
(atualizado às 17h16)
Resumo
O dólar fechou em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,0182, puxado pelo recuo global da divisa americana e pelo otimismo no cenário eleitoral brasileiro a dias do segundo turno. A vantagem do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas tem animado o mercado, que projeta maior controle fiscal, impulsionando a entrada de capital externo e a alta do Ibovespa para além dos 208 mil pontos, embora ainda persistam incertezas sobre o plano econômico e propostas com impacto nas contas públicas, como o Perse.

O dólar fechou a terça-feira em ‌baixa ante o real, influenciado tanto pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior quanto pelo cenário eleitoral no Brasil, a cinco dias do segundo turno.

Em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros, o dólar à vista encerrou com queda de 0,58%, a R$5,0182%. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,58%.

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Às 17h02, o dólar futuro para novembro -- o ⁠mais negociado no Brasil -- cedia 0,50% na B3, aos R$5,0280.

A moeda norte-americana operou em baixa durante boa ‌parte do dia ante divisas como o iene, a libra, o euro e o franco suíço, com os rendimentos dos Treasuries de longo prazo também em queda no exterior.

Em relação às ‌divisas de países emergentes, o dólar sustentou perdas ante o ‌peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano, o que também trazia um viés ⁠de queda para as cotações no Brasil.

Esse movimento foi corroborado pelo noticiário político brasileiro, marcado na véspera pela divulgação de novas pesquisas eleitorais. Ainda que a disputa pela Presidência esteja acirrada, a maior parte dos institutos segue indicando alguma vantagem numérica nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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"Já está em boa parte precificado que Flávio ‌vai ganhar, mas há espaço para valorização do real e diminuição de prêmios na curva (de juros futuros) ‌se isso se confirmar", comentou Jonathan ⁠Joo Young Lee, head ⁠da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset.

Nesse cenário, o Ibovespa superou os 208 mil pontos, favorecido pelo ⁠fluxo de investimentos estrangeiros, o que também justificava ‌a queda do dólar ante o ‌real.

"O dinheiro de investidores de fora que entra na bolsa dá suporte ao real, e a agenda eleitoral, com novas pesquisas, mantém as oscilações presentes", pontuou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.

Às 13h45, o dólar à vista atingiu a mínima intradia de R$5,0044 (-0,86%).

Por trás do ⁠movimento está a leitura de boa parte dos agentes de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

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Nesta terça-feira, na contramão da ideia de ajuste, Flávio prometeu restabelecer o Programa Emergencial de ‌Retomada do Setor de Eventos (Perse) se vencer a eleição, afirmando que a medida valerá para as áreas de eventos, shows e turismo.

O programa foi originalmente criado durante a pandemia de Covid-19 para ⁠socorrer o setor e teve elevado custo fiscal, com empresas de diferentes áreas conseguindo acessar o benefício, que se prolongou bem além do período emergencial.

"A gente não sabe como ele (Flávio) vai fazer corte de gastos. Ele mencionou que um dos principais pontos é recuperar a confiança e melhorar a questão fiscal do Brasil, mas a gente não tem clareza de como isso vai ser feito", ponderou Lee, da Mirae Asset.

"Mesmo não tendo essa clareza, vimos o mercado reagindo totalmente otimista após o primeiro turno", acrescentou.

Uma nova pesquisa eleitoral da Quaest está programada para a quarta-feira, enquanto um levantamento do Datafolha deve sair na quinta-feira.

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No fim da manhã desta terça-feira, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 75.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.

Às 17h04, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,25%, a 101,710.

(Edição de Isabel Versiani)

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