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iFood compra Caju por cerca de R$ 1 bi e forma empresa de benefícios com 3 milhões de usuários

Segundo a Prosus, dona do delivery brasileiro, esta é a maior aquisição já feita pelo iFood; as 2 empresas transacionam cerca de R$ 1,3 bi por mês cada, diz o CEO do iFood Benefícios

20 out 2026 - 18h31
(atualizado às 18h35)
Resumo
Na maior aquisição de sua história, o iFood comprou a startup Caju por cerca de R$ 1 bilhão, integrando as operações à sua divisão de benefícios corporativos. A união cria uma potência digital com 3 milhões de usuários e 135 mil empresas clientes, transacionando cerca de R$ 2,6 bilhões mensais. O movimento acelera a estratégia do iFood de diversificar receitas além do delivery e desafiar concorrentes tradicionais. A transação ainda depende da aprovação do Cade e do Banco Central.

O iFood Benefícios anunciou nesta terça-feira, 20, acordo para comprar a Caju, startup de benefícios corporativos e gestão de pessoas; o Estadão/Broadcast apurou que a companhia desembolsou cerca de R$ 1 bilhão na aquisição. Segundo a Prosus, dona do delivery brasileiro, esta é a maior aquisição já feita pelo iFood. A operação combina duas plataformas digitais que, juntas, somam cerca de 3 milhões de usuários do mercado de benefícios corporativos, que movimenta no total cerca de R$ 150 bilhões por ano.

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Segundo o CEO do iFood Benefícios, Arthur Freitas, as duas empresas transacionam cerca de R$ 1,3 bilhão por mês cada uma. O iFood Benefícios reúne aproximadamente 1,7 milhão de usuários e 65 mil empresas clientes, enquanto a Caju atende 1,3 milhão de trabalhadores e mais de 70 mil empresas.

A Caju foi fundada em 2020, mesmo ano que a vertical de benefícios no iFood. Ambas são representantes de um movimento de digitalização no mercado de vale-refeição e vale-alimentação. Da pandemia para cá, os novos entrantes, nativos digitais, buscaram flexibilização da regulação para ganhar mercado dos players tradicionais.

Anteriormente, o iFood tentou colocar em prática a estratégia de consolidar o mercado com a compra de uma destas empresas "da velha-guarda": em julho de 2025, o Estadão/Broadcast noticiou que a companhia negociava a compra da Alelo, empresa de benefícios controlada por Banco do Brasil e Bradesco, em uma operação estimada por fontes entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. Procurados à época, os envolvidos não se pronunciaram.

Agora, a escolha da Caju vai em linha de reforçar a característica digital, em contraponto aos sistemas legados das concorrentes, aponta Freitas. Segundo o executivo, os sistemas para gestão de recursos humanos (RH) da Caju agregam mais eficiência aos clientes corporativos do iFood Benefícios, enquanto a rede de restaurantes conectados no sistema de delivery e as promoções do aplicativo serão positivos aos clientes atuais da Caju.

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O anúncio também ocorre em meio ao ciclo de expansão dos negócios do iFood no Brasil. Em setembro, a companhia anunciou investimentos de R$ 24 bilhões no País no ano fiscal de abril de 2026 a março de 2027, valor 41% superior ao do período anterior. À época, a empresa informou que os recursos serão destinados ao fortalecimento da operação de entrega, a expansão para novas categorias, o desenvolvimento de tecnologia própria e soluções além do delivery.

O investimento no segmento de benefícios é parte da estratégia da companhia para diversificar os negócios para além do delivery. No ano fiscal de 2026 (que abarca o período de abril de 2025 a março deste ano), o negócio de entrega de refeições representou 45% da receita da empresa, mas o objetivo é que as categorias como fintech, com o iFood Pago, viagens e benefícios tenham fatias cada vez maiores.

O iFood registrou receita líquida de R$ 10,1 bilhões no ano fiscal de 2026, de acordo com a controladora, a holding holandesa Prosus. A empresa tem atualmente 65 milhões de usuários e atende 500 mil estabelecimentos em 2,8 mil cidades, entregando mais de 180 milhões de pedidos por mês e contando com 600 mil entregadores parceiros.

Como nasceu a Caju, na pandemia

A compra deu liquidez aos fundos de venture capital que aportaram investimentos na startup desde a sua fundação, em 2020. Dentre os investidores de saída estão K1 Investment Management, Valor Capital Group, Canary, Caravela Capital e Volpe Capital. A transação é a maior compra já realizada pelo iFood em sua história.

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A Caju surgiu durante a pandemia de covid-19, por iniciativa de Eduardo del Giglio e Renan Mendes. Antes, Giglio já havia criado e vendido a Blumpa, empresa de contratação de diaristas.

No primeiro ano de operação, a Caju levantou R$ 13 milhões em uma rodada de investimento semente, liderada pelo Valor Capital e pelo Canary. Em 2021, captou outros R$ 45 milhões em uma rodada Série A, liderada por Valor Capital, Caravela Capital e Volpe Capital.

Já em agosto de 2022, a startup recebeu um aporte de US$ 25 milhões em uma rodada Série B liderada pela K1 Investment Management, gestora americana especializada em empresas de software para negócios (B2B). A rodada também contou com a participação de investidores que já haviam aportado recursos na companhia.

Com sede em São Paulo, a Caju tem mais de 700 profissionais distribuídos pelo País. A empresa tem atualmente 70 mil empresas clientes, mais de 1,3 milhão de usuários e transaciona cerca de R$ 1,3 bilhão por mês. Na combinação de negócios com o iFood Benefícios, a operação deve alcançar 135 mil empresas clientes e 3 milhões de usuários. A operação ainda aguarda aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central (BC).

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