Um homem influente, respeitado no mercado financeiro, mas responsável por uma das maiores fraudes financeiras da história, com um golpe de US$ 65 bilhões. Trata-se de Bernard Madoff, americano condenado a mais de 150 anos por esquema de pirâmide. Morreu em 2021, na prisão onde cumpria a sentença desde 2009.
O caso encontra paralelo no Brasil com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. As semelhanças entre os dois se devem às estratégias para atrair investidores com promessas de retornos financeiros acima da média do mercado.
A história desses dois personagens integra os perfis reunidos em "Aventureiros e larápios - Histórias de quem abalou ou quase quebrou os mercados", de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr.
O livro apresenta trajetórias de 15 figuras nacionais e estrangeiras que deixaram marcas no mundo dos negócios e das finanças, como Eike Batista e Elizabeth Holmes.
A obra percorre diferentes épocas. Desde casos antigos, como o de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, um dos maiores empresários do Brasil do século 19, pioneiro na industrialização e modernização nacional; até casos mais recentes, como o de Daniel Vorcaro, citado na obra como "o banqueiro do luxo".
O capítulo sobre o banqueiro do Master examina o desdobramento do caso até janeiro, sem incluir atualizações importantes, como a mudança da relatoria no Supremo Tribunal Federal (STF) para André Mendonça após Dias Toffoli, relator anterior, pedir para deixar a condução do caso.
Os autores comentam que, embora o livro já estivesse em fase de revisão quando o caso ganhou dimensão, decidiram incluir um capítulo sobre Vorcaro devido à relevância do episódio.
Roberto Teixeira da Costa é economista, primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e fundador do Conselho Empresarial da América Latina (Cecal). É autor de Mercado de capitais: Uma trajetória de 50 anos e Valeu a pena! Mercado de capitais: Passado, presente e futuro.
Já Fábio Pahim Jr. atuou como redator, repórter especial e editorialista de finanças no Jornal da Tarde e no Estadão. Juntos, já publicaram Crises financeiras: Brasil e o mundo (1929-2023), pela Portfolio Penguin.
O prefácio do livro é assinado por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. A apresentação é feita por Alfredo Egydio Setubal, CEO da Itaúsa, e o posfácio por Paulo Cesar Aragão, que ocupou cargos na CVM e na B3.
De acordo com a obra, alguns personagens podem ser vistos como aventureiros, com personalidades visionárias e dispostas a correr altos riscos. Outros são larápios, que apostaram todas as suas fichas em projetos ilícitos ou práticas controversas. Fábio Pahim Jr. compartilha que, geralmente, o que diferencia um do outro é a alma de jogador.
"Um exemplo é o caso do Naji Najas, um dos maiores conhecedores de regras de mercado que eu conheci. O plano dele não era apenas ganhar dinheiro, era dominar os negócios. É uma situação de poder. O poder para ele me parecia tão importante quanto o lucro. Tem pessoas que são jogadoras, às vezes até às custas de um risco absurdo, que elas não precisariam correr".
Outro nome lembrado por Pahim é Artur Virgílio Alves Reis, responsável por uma fraude que marcou a política econômica de Portugal, alterou a inflação e abriu caminho para a ditadura de António Salazar (1889-1970).
O caso foi tão importante "a ponto de o poeta português Fernando Pessoa assistir a quatro dias do julgamento, pois ele era uma figura interessantíssima", lembra Pahim.
O último capítulo dedica-se a compartilhar lições a serem extraídas da leitura, com análises sucintas dos autores sobre ilicitudes e princípios éticos do sistema financeiro.
Serviço
Aventureiros e larápios - Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr. Portfolio Penguin. 2026. 208 páginas, R$ 89,90