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Do apagão à saúde: como a energia nuclear pode trazer segurança elétrica e salvar vidas

Avanço de projetos da fonte pode significar melhorias importantes para a operacionalização do setor elétrico e diminuir mortes ao ampliar acesso a diagnósticos de câncer

25 jun 2026 - 18h41

RIO - Demonizado por muitos, desconhecido por boa parte da população, o setor de energia nuclear luta para seguir sua agenda de expansão. Nesse pacote entram a conclusão de Angra 3, o começo dos pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) e ainda a busca pela autossuficiência na produção de radioisótopos.

O assunto foi tema de um painel da manhã desta quinta-feira, 25, no Energy Summit, no Rio de Janeiro. Entre diversos pontos levantados, os especialistas apontam que a evolução da fonte pode trazer melhorias importantes para a operacionalização do setor elétrico brasileiro e até para diminuir mortes por câncer.

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O diretor-presidente Interino da Eletronuclear, Raphael Ehlers, disse que a aceitação da população sobre o tema está melhorando, vide as últimas pesquisas de opinião pública realizadas pela empresa.

'É a a que menos emite carbono', diz Raphael Ehlers
'É a a que menos emite carbono', diz Raphael Ehlers
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Segundo ele, o trabalho agora é mostrar, para a parte decisória da sociedade (Aneel, TCU, entre outros), que o segmento precisa de uma revisão na metodologia para formação da remuneração no preço da energia, para que seja justo e capaz de cobrir seus atributos e serviços a serem prestados.

"É uma energia próxima dos centros de carga e que se mantém firme mesmo com outras crises do setor, sendo a que menos emite carbono no mundo. Menos do que a solar, olhando desde o berço ao túmulo dos ativos", comentou o executivo, acrescentando ser uma opção também muito interessante ao advento dos data centers no país.

Ehlers reforça a necessidade de uma revisão regulatória na parte de comercialização e sobre o modelo de custeio e remuneração dos investimentos, além da tributação acima de 65% dos equipamentos importados e que visam garantir a segurança dos empreendimentos.

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Mediador do debate, o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) disse que, para além da questão dos subsídios no setor elétrico, outra problemática é que atualmente o sistema paga pelo MWh e não pelo atributo das fontes.

"O desafio do Brasil é reprecificar a energia elétrica, saindo do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) para uma nova concepção por oferta", sinaliza o dirigente, salientando não ser concebível que o País tenha hoje uma das energias mais caras do mundo, com quase R$ 60 bilhões de subsídios pagos na conta de luz por toda a população.

"Vamos lembrar também que quem ficou de pé no apagão de 2023 foi o carvão e a nuclear com usinas que hoje podem chegar a 120 anos de vida útil", acrescenta.

Reatores modulares e impactos do avanço do setor na saúde

O debate sobre o uso da energia nuclear no Brasil vem ganhando novos contornos com o avanço das tecnologias de reatores modulares pequenos (SMRs, na sigla em inglês). Celso Cunha citou a existência de 102 projetos desse tipo cadastrados no mundo, dos quais 69 estão em fase de regulação e cerca de 20 já avançam para a etapa de implementação. O movimento é liderado por grandes potências: a China já opera dois reatores desse tipo, enquanto a Rússia possui unidades embarcadas em funcionamento.

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Enquanto isso, os Estados Unidos deram um passo recente ao instalar seu primeiro microreator, indicando a consolidação dessa tecnologia como uma alternativa viável e inovadora para geração elétrica. No Brasil, a discussão sobre os SMRs também envolve a política industrial. A proposta em debate prevê a exigência de ao menos 65% de conteúdo nacional no desenvolvimento do setor, o que poderia impulsionar a cadeia produtiva, gerando empregos e fortalecendo a indústria local.

Além do impacto energético, Cunha ressalta a energia nuclear com papel estratégico na produção de radiofármacos, fundamentais para o diagnóstico e tratamento de doenças graves, especialmente o câncer. Dados do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o Brasil registra mais de 244 mil mortes por câncer por ano.

De acordo com o executivo, uma parcela significativa dessas mortes está relacionada à falta de tratamento adequado ou ao diagnóstico tardio. "Se houvesse acesso mais rápido e eficiente aos recursos disponíveis, cerca de 102 mil vidas poderiam ser salvas", alerta o presidente da ABDAN.

A grande aposta está na conclusão do Reator Multipartidário Brasileiro (RMB). Projetado para ser construído em Iperó (SP), o reator poderá tornar o Brasil autossuficiente na produção de radioisótopos.

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Com a produção nacional em larga escala liderado pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), os custos dos tratamentos tendem a diminuir, permitindo que o SUS democratize o acesso à medicina nuclear nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o tratamento oncológico avançado ainda é escasso.

Sob esse prisma, Celso Cunha reforça que o setor nuclear não deve ser analisado apenas sob a ótica da geração elétrica, mas sim como uma tecnologia de múltiplos benefícios, com impacto direto na economia, inovação e na qualidade de vida da população.Agora, o desafio é integrar essas pautas em uma estratégia nacional que una segurança energética, desenvolvimento industrial e avanços na saúde pública.

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