Dívida federal cresce 0,04% em agosto com participação recorde de títulos atrelados à Selic

28 set 2026 - 14h42
(atualizado às 16h27)
Resumo
A dívida pública federal subiu 0,04% em agosto, atingindo R$ 9,293 trilhões, impulsionada pela apropriação de juros que superou os resgates líquidos. O destaque foi a participação recorde de títulos atrelados à Selic, que alcançou 52,74% do total devido à busca dos investidores por proteção contra a volatilidade e os juros altos. Paralelamente, o colchão de liquidez recuou 11,89%, somando R$ 1,208 trilhão, enquanto o Tesouro planeja retomar a emissão de papéis prefixados e inflacionários no futuro.

A dívida pública federal do Brasil teve ‌variação positiva de 0,04% em agosto sobre julho, para R$9,293 trilhões, e a participação de títulos com taxas flutuantes atingiu nível recorde no mês, diante do aumento da demanda pelos papeis em meio às incertezas econômicas, mostraram dados do Tesouro Nacional nesta segunda-feira.

No mês passado, a dívida ⁠pública mobiliária federal interna (DPMFi) somou R$8,944 trilhões, com variação negativa de 0,05%, ‌enquanto a dívida pública federal externa (DPFe) atingiu R$348,26 bilhões, com alta de 2,41%.

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Conforme o Tesouro, do total da dívida, 52,74% correspondiam a papeis ‌atrelados à taxa Selic no final de ‌agosto. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges ⁠Dias, afirmou a jornalistas que a participação foi recorde na série histórica.

"Mas no começo da década de 2000, quando chegamos a observar participações semelhantes, tínhamos uma composição muito grande de título cambial (na dívida). Então, a composição dos outros 50% da dívida é muito melhor hoje", ponderou Dias.

Em ‌agosto, outros 20,31% da dívida correspondiam a títulos prefixados, 23,22% a títulos vinculados ‌a índices de preços ⁠e 3,74% a ⁠papeis cambiais.

No mês passado, o Tesouro elevou sua projeção para a participação da ⁠dívida flutuante ao final do ano ‌para a faixa de ‌49%-53%, de 46%-50% estimados anteriormente, e disse que a alta refletia "a combinação de um ambiente de maior volatilidade e de taxas de juros elevadas, contribuindo para uma maior preferência dos investidores por instrumentos ⁠de menor duração e menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros".

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Dias afirmou ainda que a expectativa é de que o governo volte a fazer superávits primários no futuro, criando as condições estruturais para a redução da participação dos títulos ‌flutuantes.

Além disso, "nas oportunidades que tivermos, vamos voltar a fazer emissões mais volumosas de índices de preços e prefixados", afirmou Dias. "O objetivo é voltar ⁠a aumentar a participação de NTN-Bs e prefixados na dívida", acrescentou, em referência às Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-Bs), papeis indexados à inflação.

Em agosto, a variação positiva de 0,04% da dívida pública deveu-se, conforme o Tesouro, à apropriação positiva de juros, no valor de R$88,39 bilhões, neutralizada, em parte, pelo resgate líquido, no valor de R$84,43 bilhões.

O órgão informou ainda que a reserva de liquidez da dívida pública -- uma espécie de "colchão" para o pagamento dos compromissos -- caiu 11,89% em termos nominais em agosto sobre julho, para R$1,208 trilhão. Na comparação com agosto de 2025, a reserva de liquidez aumentou 6,49%.

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