Diretor do BC diz à PF que créditos vendidos ao Banco Master eram inexistentes

Segundo Ailton de Aquino Santos, BC teve 'certeza' da inexistência de créditos após reunião com representante de empresas que negociaram com o Master

29 jan 2026 - 18h30

BRASÍLIA - O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou, durante depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro do ano passado, que duas empresas que fizeram negócios com o Banco Master não comprovaram a existência de créditos vendidos ao banco. Aquino não é investigado no caso.

O trecho do depoimento, que ocorreu no Supremo Tribunal Federal, foi divulgado em vídeo pelo portal Poder360.

Publicidade
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou, durante depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro do ano passado, que duas empresas que fizeram negócios com o Banco Master não comprovaram a existência de créditos vendidos ao banco
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou, durante depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro do ano passado, que duas empresas que fizeram negócios com o Banco Master não comprovaram a existência de créditos vendidos ao banco
Foto: Pedro França/Agência Senado / Estadão

Aquino é o diretor que recomendou o voto pela liquidação do banco para a diretoria colegiada do Banco Central. Na audiência do STF, ele prestou depoimento, mas foi liberado da acareação.

O Master comprou carteiras de créditos consignados das empresas Tirreno e Cartos e revendeu esses ativos para o Banco de Brasília (BRB). Os créditos, porém, eram inexistentes e fraudados, segundo as investigações da Polícia Federal

Aquino relatou que se reuniu com um representante das duas empresas, chamado "André", e que ele citou vários números ao ser perguntado sobre qual o valor dos créditos gerados pelas companhias. Depois dessa reunião, segundo o diretor, o BC teve "certeza" da inexistência dos créditos.

"Depois de uma hora de inquirição, os valores iam subindo, alguns diretores da Cartos falavam 'eu nunca ouvi falar da Tirreno', ao fim e ao cabo o André respondeu: 'não foi 200, não foi 300, nós geramos R$ 6,2 bilhões'. Isso é impossível, do ponto de vista técnico, uma empresa gerar isso", afirmou no depoimento.

Publicidade

O único relacionamento da Tirreno como empresa era com o Banco Master, citou Aquino. O diretor do BC também destacou que a Cartos era "uma empresa pequena" e a Tirreno "era uma empresa desconhecida". Ele ainda relatou à PF que não foram identificados fluxos financeiros da Tirreno - TEDs, Pix ou câmbio - nas bases do Banco Central.

TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações