Mercado imobiliário 2026: mudanças no setor favorecem a compra de imóveis

Juros em transição, crédito mais acessível e políticas habitacionais redesenham o próximo ciclo do setor

29 jan 2026 - 18h46

O mercado imobiliário brasileiro inicia um novo ciclo com sinais consistentes de expansão. A combinação entre fatores macroeconômicos, ajustes regulatórios e fortalecimento das políticas habitacionais cria um ambiente mais favorável ao crédito e à retomada das vendas. A expectativa de queda gradual da taxa Selic, projetada para encerrar o período em torno de 12,25%, somada ao aumento do orçamento destinado à habitação, tende a destravar decisões de compra que vinham sendo adiadas nos últimos anos.

Mercado imobiliário brasileiro inicia um novo ciclo com sinais consistentes de expansão
Mercado imobiliário brasileiro inicia um novo ciclo com sinais consistentes de expansão
Foto: fast-stock | Shutterstock / Portal EdiCase

Um dos principais vetores desse movimento é o fortalecimento do Minha Casa Minha Vida. O programa volta a ocupar papel central na política habitacional, com uma meta ampliada de contratação de até 1 milhão de unidades, ante uma média aproximada de 700 mil unidades nos ciclos anteriores. A elevação do volume reforça o alcance do programa e tende a gerar efeitos diretos em toda a cadeia da construção civil, do financiamento à execução das obras e à geração de empregos.

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Mudanças no crédito ampliam a capacidade de financiamento

Além do orçamento robusto, há mudanças estruturais relevantes no crédito imobiliário. A aprovação de um novo modelo pelo Conselho Monetário Nacional trouxe maior flexibilidade ao uso dos recursos da poupança, ampliando o acesso dos bancos ao funding do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). Na prática, isso reduz o custo de captação e aumenta a capacidade de concessão de crédito, um gargalo importante observado nos últimos anos. Trata-se de uma demanda antiga do setor, agora atendida, que tende a acelerar as contratações ao longo do ciclo.

Os efeitos desse novo ambiente já começam a aparecer no comportamento do comprador. Mesmo antes de uma queda expressiva dos juros, a simples sinalização de um cenário mais benigno costuma antecipar decisões. O mercado imobiliário reage menos ao dado pontual da Selic e mais à expectativa construída ao longo do tempo. Quando os sinais são claros, o comprador se antecipa, os bancos ajustam suas ofertas e o mercado começa a se mover.

Essa antecipação é especialmente visível nos segmentos de médio e alto padrão, mais sensíveis à política monetária e à disponibilidade de crédito. No Minha Casa Minha Vida, por outro lado, o impacto está muito mais relacionado à força do orçamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) do que à taxa básica de juros. São dinâmicas diferentes, mas que caminham na mesma direção: aumento de demanda.

A antecipação da compra volta a ganhar força como estratégia em ciclos de retomada do mercado imobiliário
Foto: ARMMY PICCA | Shutterstock / Portal EdiCase

A antecipação como estratégia de compra

Do ponto de vista estratégico, o movimento mais relevante observado é a antecipação da compra. A experiência de ciclos anteriores mostra que, quando o crédito começa a fluir e a confiança retorna, a demanda cresce mais rápido do que a oferta. Nesse cenário, esperar demais pode significar pagar mais caro. Estratégias como portabilidade e renegociação tendem a ganhar protagonismo apenas em um momento posterior, quando o novo patamar de juros estiver consolidado.

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Esse possível descompasso entre oferta e procura é um ponto de atenção. Em ambientes de crédito facilitado, o risco de valorização acelerada dos imóveis aumenta, especialmente em regiões com estoque limitado. Foi assim em ciclos passados, inclusive no período pós-pandemia, quando a demanda reagiu mais rápido do que a capacidade de entrega do mercado.

Desafios e alinhamento do setor

Ainda que o cenário seja predominantemente positivo, ele não está isento de desafios. Caso as políticas de crédito não acompanhem o ritmo da demanda, podem surgir gargalos operacionais, atrasos e restrições pontuais. Por outro lado, o alinhamento entre governo, sistema financeiro e setor produtivo tende a ser mais ágil, sobretudo em um contexto de maior atenção política à habitação.

O mercado imobiliário entra, portanto, em um período decisivo. Informação, planejamento e leitura correta do ciclo farão diferença entre aproveitar oportunidades ou chegar atrasado. Em momentos como este, não é apenas o juro que define o jogo, mas o timing das decisões.

Murilo Arjona

Especialista em financiamento imobiliário, com mais de 15 anos de atuação no setor. Engenheiro de formação, acompanha de forma contínua a evolução do crédito habitacional e das políticas públicas e privadas ligadas à habitação no Brasil.

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Por Eluan Carlos

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