Os primeiros dias de funcionamento do Desenrola 2.0 têm sido marcados por ajustes operacionais e queixas de consumidores sobre dificuldades para concluir renegociações de dívidas. Nesta quinta-feira, 7, o programa ainda enfrenta instabilidades na execução das ofertas por parte dos bancos, que agora são responsáveis pela negociação direta com os usuários.
No início da semana, após o lançamento oficial do programa, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que o sistema estaria apto a operar no fim da tarde de terça-feira, 5, cerca de uma hora depois, o Ministério da Fazenda confirmou a liberação da plataforma.
Desde então, parte dos usuários relata demora no acesso às condições de renegociação e falta de padronização no atendimento entre as instituições financeiras.
As reclamações se intensificaram nas redes sociais e se concentram, principalmente, na dificuldade de acesso às informações e na necessidade de comparecimento presencial aos bancos. Usuários afirmam que o processo ainda não está totalmente disponível nos canais digitais e que isso tem dificultado a renegociação.
"Não poder fazer online não desenrola nada, perder um dia de trabalho para ir negociar em banco é fora da realidade do trabalhador", escreveu um internauta.
Também há críticas sobre a organização do processo neste início de operação. "O Desenrola 2.0 começou desorganizado e confuso. Era muito mais fácil quando os bancos centralizavam as ofertas em uma plataforma", disse um usuário.
Outro relato aponta falta de clareza nas condições oferecidas. "No meu banco não aparece nem o desconto que tinha antes", afirmou um consumidor. Em outro caso, um usuário relatou dificuldade específica com dívida estudantil: "Eu simplesmente não sei como usar o Desenrola pra pagar meu Fies porque não aparece nada na Caixa e nem no app".
De acordo com o Ministério da Fazenda, o sistema do Fundo de Garantia de Operações (FGO), que sustenta parte das operações do programa, passou por adequações iniciais que impactaram o ritmo de liberação das ofertas. A expectativa da Febraban é de que a execução ganhe celeridade de forma gradual, considerando a complexidade operacional.
O programa é uma das apostas do governo no atual mandato para reduzir o endividamento das famílias e é estruturado em quatro frentes: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresa e Desenrola Rural.
A projeção oficial é de que o Desenrola Famílias atinja cerca de 20 milhões de brasileiros. Outros 15 milhões de aposentados do INSS podem ser beneficiados por mudanças no crédito consignado. Já o Desenrola Fies pode alcançar até 1,5 milhão de estudantes, enquanto o Desenrola Rural tem potencial de atingir cerca de 800 mil produtores.
A principal proposta é permitir a renegociação de dívidas em atraso para consumidores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). A expectativa do governo é de que, com a estabilização dos sistemas e a adesão progressiva das instituições financeiras, o acesso às condições de renegociação se torne mais ágil nos próximos dias.
Caixa Econômica Federal e Itaú já iniciaram as renegociações, enquanto Bradesco e Santander devem começar as operações de fato a partir desta quinta-feira.