David reitera desconforto do BC com expectativas de inflação e diz que "tudo pode ser feito" para buscar meta

28 mai 2026 - 10h57

O diretor ‌de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reiterou nesta quinta-feira o desconforto com o fato de as expectativas de inflação para 2028 estarem subindo no Brasil, acrescentando que a instituição buscará atingir a meta inflacionária.

"Hoje temos uma perturbação relevante", comentou David, em ⁠referência ao conflito no Oriente Médio, durante palestra no evento "Pine Macro ‌Day", organizado pelo Banco Pine, em São Paulo. "O BC está atento a isso, não vai permitir que isso se transforme em ‌inflação além do horizonte relevante", acrescentou.

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O ‌centro da meta de inflação perseguida pelo BC é de ⁠3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que implica uma taxa máxima de 4,5%. Desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, as expectativas de inflação têm subido no Brasil, na ‌esteira da disparada dos preços internacionais do petróleo.

Nos últimos meses, dirigentes ‌do BC vêm destacado ⁠o desconforto com ⁠o fato de as projeções para 2028, em especial, estarem se distanciando do ⁠centro da meta. No boletim ‌Focus mais recente, a ‌mediana das projeções dos economistas para a inflação em 2028 estava em 3,65% -- antes do início da guerra a taxa era de 3,50%.

"Houve deslocamento de 15 pontos-base da expectativa de ⁠inflação de 2028, mas é algo que salta aos olhos", pontuou David nesta quinta-feira. Ele acrescentou que o BC buscará o cumprimento da meta e disse que, no caso de 2028, "tudo pode ser feito".

O diretor reforçou ainda ‌que a intenção do BC no fim do atual ciclo de cortes da Selic é manter a taxa em um nível ⁠contracionista, "em tempo suficiente para que a inflação migre para a meta".

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"A diferença de 'calibração' para 'afrouxamento' é que o objetivo do BC não é chegar no juro neutro", disse.

Em suas comunicações mais recentes, o BC tem tratado os cortes da Selic, hoje em 14,50% ao ano, como um processo de "calibração" da taxa.

No mercado, a expectativa é de que o BC promova mais um corte de 25 pontos-base da Selic em junho, mas há dúvidas sobre o espaço para novas reduções depois disso, justamente por conta do descolamento das expectativas de inflação da meta, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio.

(Edição de Isabel Versiani)

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