Crise em Ormuz pode se transformar em catástrofe para o sistema agroalimentar global, diz FAO

Para economista-chefe da entidade, navios com insumos agrícolas críticos precisam voltar a circular pela região o mais rápido possível para evitar disparada na inflação de alimentos

14 abr 2026 - 12h13

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) afirmou, nesta segunda-feira, 13, que são reais os riscos de a crise no Estreito de Ormuz se transformar em uma catástrofe para o sistema agroalimentar internacional. "O tempo está se esgotando e os navios que transportam insumos agrícolas críticos precisam voltar a circular pela região o mais rápido possível para evitar uma disparada na inflação de alimentos ainda este ano", disse o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em podcast da organização.

Publicidade

O estreito permanece efetivamente fechado desde 28 de fevereiro e, embora um cessar-fogo tenha sido anunciado em 7 de abril, as embarcações ainda não estão se movimentando em número significativo. Segundo a entidade, os últimos navios que deixaram o local antes dessa interrupção estão chegando agora aos seus destinos, o que sinaliza que o verdadeiro intervalo de oferta está apenas começando a se materializar no mercado global.

A magnitude do problema é evidenciada pelo fato de que o estreito responde por 35% do petróleo bruto mundial, 20% do gás natural e até 30% dos fertilizantes comercializados internacionalmente. Estimativas da FAO indicam que entre 20% e 45% dos principais insumos agrícolas dependem dessa rota marítima.

Torero explicou que os preços das commodities ainda não subiram de forma expressiva porque os estoques existentes estão absorvendo o choque inicial. No entanto, ele alertou que, se o tráfego não for retomado, as pressões nos mercados de energia e fertilizantes serão traduzidas em preços mais altos para os consumidores ao longo de 2026 e em 2027.

O diretor da Divisão de Economia e Política Agroalimentar da FAO, David Laborde, reforçou que o mundo vive uma crise de insumos e que as ações governamentais nesta fase determinarão se o cenário evoluirá para uma tragédia humanitária.

Publicidade

Alerta

A principal restrição identificada pela FAO é o calendário de safras, pois, com o início das temporadas de plantio, os agricultores terão de escolher entre absorver custos de insumos mais elevados ou reduzir a aplicação de fertilizantes, o que prejudicará a produtividade das lavouras.

A organização defende que os países evitem restrições às exportações e reconsiderem mandatos de biocombustíveis que possam encurtar a oferta global de alimentos em um momento de preços de energia em alta.

O economista-chefe da FAO sugeriu o uso de mecanismos financeiros multilaterais, como o FMI, para fornecer crédito rápido a nações de baixa renda que dependem de importações de fertilizantes e energia. Ele destacou que, diferentemente de desastres naturais ou eventos climáticos, como o El Niño, o bloqueio de Ormuz é um fator que os governos podem e devem resolver por meio de soluções diplomáticas para evitar maiores problemas em relação à segurança alimentar global.

TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações