Como super ricos se tornaram donos de ilhas privadas e por que agora querem se desfazer delas?

Ilha mais cara à venda no Brasil fica em Angra dos Reis e está anunciada por mais de R$ 500 milhões

29 ago 2026 - 04h58
Ilha que pertencia ao cirurgião Ivo Pitanguy está à venda
Ilha que pertencia ao cirurgião Ivo Pitanguy está à venda
Foto: Divulgação/Bossa Nova Sotheby's International Realty

Atualmente, segundo monitoramento da plataforma Island Seeker, há ao menos 13 ilhas particulares à venda no Brasil. A mais recente a entrar no mercado é a que pertencia ao cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que faleceu há 10 anos. A propriedade de 299 mil metros quadrados em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, aparece sendo anunciada por US$ 100 milhões (R$ 515 milhões, na conversão atual). 

"Por mais de 50 anos, a Ilha dos Porcos Grandes pertenceu a um homem: Ivo Pitanguy, o lengedário cirurgião plástico brasileiro que transformou o local em um santuário privado e recebeu convidados como Jackie Onassis e Tom Cruise. Agora, pela primeira vez desde 1973, a ilha chega ao mercado", diz o anúncio no site especializado em ilhas particulares.

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Mas, afinal, como super ricos se tornam donos de ilhas particulares no Brasil? O advogado Rafael Verdant, sócio do Contencioso Cível do Albuquerque Melo Advogados, especialista em Direito Imobiliário, explica que é possível, sim, ter uma ilha particular no País, mas com restrições.

"No Brasil, ser dono de uma ilha costeira não equivale automaticamente a domínio pleno sobre toda a área física dela, diferente de sistemas comuns em partes da Europa e nos Estados Unidos," diz Verdant, que explica que a área que circunda uma ilha, mesmo sendo internamente propriedade particular, pertence à União.

Ou seja, um comprador de uma ilha privada possui algumas obrigações com a União, como pagamento de foro anual. "O terreno de Marinha funciona como se você tivesse direito a tudo acima do solo, então, o terreno segue, oficialmente sendo da União e por isso você paga um valor quando vende e um valor para utilizar anualmente", diz.

A ilha que pertencia à família Pitanguy está listada em um preço acima do comum entre outras propriedades do tipo. Na mesma seleção feita pelo site Island Seeker há ilhas à venda a partir de US$ 1,5 milhão (R$ 7,73 milhões), com a segunda mais cara, a Ilha do Arroz, anunciada por US$ 14,5 milhões (R$ 74,7 milhões). Esta última propriedade também fica localizada em Angra dos Reis. 

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Propriedade da família Pitanguy fica em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação/Bossa Nova Sotheby's International Realty

Os super ricos que querem se desfazer de suas ilhas

Não é só no Brasil que há ilhas privadas disponíveis no mercado. O fenômeno também é sentido lá fora e pode ser evidenciado pela venda da Hay Island, em Connecticut, nos Estados Unidos, que pertenceu por mais de cem anos a uma mesma família. A propriedade foi vendida pela família Ziegler por US$ 26,5 milhões (R$ 136,4 milhões) em novembro deste ano.

Em Veneza, a Ilha de Santa Cristina está à venda por US$ 24 milhões (R$ 123,5 milhões). O local foi comprado em 1986 pelo bisneto do fundador da Swarovski, e, agora, a família busca se desfazer da propriedade de 72 acres. 

Para o escritor norte-americano Jim Dobson, que escreve sobre o mercado de luxo na revista Forbes, o fenômeno está relacionado à transferência de recursos entre gerações. Muitas vezes o que era o sonho de um comprador se torna um peso para as gerações futuras, que não estão interessadas em administrar propriedades tão extensas. 

Dobson ressalta que as ilhas privadas ainda contam com desafios próprios, como a dificuldade de acesso para contratação de pessoal e de reparos. 

Segundo o relatório de tendência de 2026 da Coldwell Banker Global Luxury, as gerações X e Millenial, que compreendem os nascidos entre 1960 e 1996, devem herdar cerca de US$ 4,6 trilhões (R$ 23,6 trilhões) em riqueza imobiliária global durante a próxima década. 

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Fonte: Portal Terra
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