O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países que mantêm relações comerciais com o Irã pode afetar diretamente o Brasil, que teve superávit de US$ 2,8 bilhões no comércio bilateral com o país em 2025. A medida prevê uma tarifa adicional de 25% sobre "todo e qualquer" comércio com os EUA para nações que negociem com Teerã.
Segundo dados do Comex Stat, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões ao Irã no ano passado, enquanto importou US$ 84,6 milhões, o que levou o país asiático a ocupar a 31ª posição entre os destinos das exportações brasileiras em 2025.
A pauta exportadora brasileira ao Irã é concentrada no agronegócio. O principal produto enviado foi milho não moído, que respondeu por 67,9% do total exportado, o equivalente a cerca de US$ 2 bilhões. Em seguida aparecem a soja, com 19,3% (US$ 563,6 milhões), açúcares e melaços (6,5%) e farelos de soja e outros alimentos para animais (6,2%).
A medida foi anunciada em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã, após protestos no Irã reprimidos pelo regime, que já deixaram centenas de mortos.
Para o professor do Departamento de Economia da USP Ivan Salomão, o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos tem, por ora, caráter mais indireto e pode estar ligado a uma tentativa de pressionar a China, principal parceira comercial do Irã.
No caso do Brasil, apesar de o Irã ser um comprador relevante de produtos do agronegócio brasileiro, como milho, soja e açúcar, a avaliação é de que o impacto direto tende a ser limitado no curto prazo, sobretudo porque a medida ainda não teve data de vigência definida e pode não se sustentar ao longo do tempo.
"Acho pouco provável que o Brasil abra mão de exportações com base no que parecer ser mais um arroubo retórico do que exatamente uma política que se manterá por meses", avaliou Salomão.
O economista-chefe da Leme Consultores, José Ronaldo Souza, avalia que o peso comercial do Irã é baixo e concentrado em produtos que o País tem muita competitividade, e que consegue para outros países.
"Olhando estritamente para as exportações que são feitas para o Irã, além de poucos significativas, não terem impacto significativo para o Brasil, porque são produtos que a gente conseguiria redirecionar para outros países", afirmou./Colaboraram Flávia Said e Laís Adriana