BRASÍLIA - O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto não compareceu novamente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Essa é a terceira vez que ele falta. A informação foi confirmada pelo presidente da comissão, o senador Fabiano Contarato (PT-ES).
Desta vez, o requerimento convocando Campos Neto foi feito pelo relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ao justificar o pedido, ele afirmou que o depoimento do ex-presidente do BC poderia ser de grande utilidade para prestar esclarecimentos sobre o Banco Master e os procedimentos adotados pela autoridade monetária para autorizar o ingresso de novos controladores no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
"Daniel Vorcaro (dono do Master) buscou ingressar no sistema financeiro nacional ao longo de toda a década de 2010, sem êxito. Em outubro de 2019, a diretoria colegiada do Banco Central autorizou a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro — instituição que, nos anos seguintes, foi rebatizada como Banco Master e se tornou o principal veículo do esquema investigado", afirmou Vieira em seu pedido.
Antes desse requerimento, Campos Neto já havia sido chamado a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que pleiteava que o ex-banqueiro central esclarecesse possíveis falhas na atuação da autarquia no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado no sistema financeiro. Wagner argumentou que mudanças regulatórias feitas durante a gestão de Campos Neto podem ter flexibilizado controles e facilitado irregularidades.
A CPI também chegou a agendar uma oitiva com Campos Neto no começo de março — o ex-presidente também faltou a esse convite.
No mês passado, ao se manifestar pela primeira vez sobre o caso Master, Campos Neto afirmou em nota que a cúpula do Banco Central não trata de operações de bancos do segmento S3 — de médio porte — e não pode ser responsabilizada por falha de terceiros.
Dois diretores do BC são investigados sob suspeita de serem "consultores informais" do Master dentro do órgão público. Eles receberam vantagens indevidas para atrapalhar a investigação sobre o banco de Vorcaro, que está preso e negocia uma delação premiada. Segundo Campos Neto, ambos os servidores chegaram à instituição antes que ele fosse indicado à presidência e permaneceram na autarquia após sua saída, ao final de 2024.
Além de Campos Neto, está na pauta da CPI nesta quarta-feira o depoimento do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo.