Lula diz que gostaria de acabar com as bets, mas que isso depende do Congresso

Segundo o presidente, esse tema vem sendo discutido há 15 dias como uma das formas de reduzir o endividamento da população

8 abr 2026 - 12h03
(atualizado às 12h41)

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 8, em entrevista ao canal de notícias ICL, que está preocupado com o endividamento do povo brasileiro, e apontou o avanço das bets como uma das causas desse problema. O presidente disse que há 15 dias vem discutindo até o fechamento dessas empresas de apostas.

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"Se as bets causam mal, porque não acabamos com elas?", perguntou. "Não é possível continuar com essa jogatina desenfreada nesse País." Mas, segundo ele, essa é uma discussão que precisa passar pelo Congresso. E todo mundo sabe, disse, quem são os deputados, senadores e partidos envolvidos com bets.

Lula atribui o crescente endividamento também à baixa renda e à necessidade de consumo. E encontrar soluções para essa questão foi a missão dada ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que assumiu no mês passado após a saída de Fernando Haddad, que vai disputar o governo do Estado de São Paulo.

Lula pediu ao ministro da Fazenda alternativas para reduzir endividamento
Lula pediu ao ministro da Fazenda alternativas para reduzir endividamento
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Em uma agenda em Anápolis (GO), no mês passado, Lula disse que o endividamento da população impede que os brasileiros sejam beneficiados com números positivos da economia.

"Pedi ao meu ministro da Fazenda que a gente precisa tentar resolver esse problema da dívida das pessoas. Não quero que as pessoas deixem de endividar para ter coisas novas na vida. Não estou pedindo isso. O que queremos é ver como fazemos para facilitar o pagamento do que vocês devem e como podemos colocar na televisão uma política de ensino de administração do salário", afirmou.

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Na segunda-feira, 6, Lula reuniu Durigan e os ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e Miriam Belchior (Casa Civil) para discutir mecanismos que possam reduzir os endividamentos.

Escala 6x1

O presidente também anunciou que vai enviar nesta semana ao Congresso Nacional um projeto de lei do governo que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6x1. Ele disse ainda que vai conversar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a medida.

Na terça-feira, 7, Motta chegou a dizer que o governo havia recuado da intenção de enviar um projeto de lei e que iria pautar a análise de uma proposta de emenda à Constituição (CCJ) que já tramita na Câmara, e tem apoio do próprio Motta. O governo, porém, negou que iria desistir de enviar sua proposta.

"Hugo Motta tem uma PEC que ele gostaria de colocar em votação, mas o governo vai apresentar o seu projeto nesta semana", disse Lula, se mostrando confiante com a aprovação da mudança. "Vamos conseguir reduzir a escala 6x1", disse.

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O presidente também defendeu que haja uma brecha para o caso de necessidade de contratos coletivos de categorias diferenciadas durante a implementação da redução da escala de trabalho. "Não pode ser uma coisa rígida para todas as categorias, você tem que permitir que haja uma negociação. Mas nós temos de ter a redução, as pessoas precisam hoje de mais descanso e lazer", afirmou.

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