BTG não fez nada de errado ao distribuir CDBs do Banco Master, diz André Esteves

Segundo executivo, banco do qual é sócio reduziu venda de títulos e, depois, parou de fazê-la quando viu problemas; ele defendeu atuação do BC no caso

11 fev 2026 - 15h37
(atualizado às 15h56)

O sócio e presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, André Esteves, disse que a distribuição de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025, não é em si uma conduta errada das plataformas de investimento.

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"Não fizemos nada de errado", afirmou durante o CEO Conference promovido pelo banco, acrescentando que, quando viu algo de errado no Master, o BTG reduziu a venda de títulos e, posteriormente, parou de fazê-la.

"Fizemos consecutivas campanhas para os investidores estarem dentro dos limites sobre garantia. Então, eu não vejo nada de errado, pelo contrário, eu acho que a gente exerceu o papel que devia exercer", afirmou.

O Master registrou crescimento meteórico e tinha como principal estratégia a venda de CDBs, sobretudo a pessoas físicas, por meio de plataformas como XP e BTG. A principal propaganda era a garantia de serem cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no valor de até R$ 250 mil por CPF. Ou seja: mesmo se o banco quebrasse, o dinheiro e a rentabilidade do investidor estariam garantidos.

Esteves alertou para o risco de uma volta ao passado, quando a oferta de produtos de investimento era limitada e de baixo retorno. "Não podemos, com a maçã podre, estragar uma história que foi extremamente benéfica para sociedade", disse. Segundo ele, isso fará com que os atores mais responsáveis sejam premiados pelo mercado, e os menos, punidos.

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"Eu acho que o mercado tem sabedoria, transparência, inteligência para encontrar os caminhos e quem está atuando em prol do investidor ou da sociedade", afirmou.

Esteves defendeu a atuação do Banco Central e disse que os eventos não levam à conclusão de que as instituições não estejam funcionando bem. Ele acrescentou, no entanto, que elas podem ser aperfeiçoadas.

Negócios sem 'comprar acesso'

Esteves defendeu que não necessariamente é preciso "comprar acesso" junto a políticos e ao poder público para fazer negócios de sucesso no Brasil. Ele disse que o setor financeiro, ainda que pudesse ser mais bem regulado, tem um BC competente e ilibado há muitos anos. "Um órgão distante de qualquer contaminação política", afirmou Esteves.

O comentário foi feito quando questionado sobre o assunto durante discussão sobre os eventos que levaram à liquidação do Master e as investigações que estão sendo conduzidas pela Polícia Federal, revelando ligações de Daniel Vorcaro com nomes da política e de órgãos públicos, as quais, eventualmente favoreceram o crescimento acelerado do Master.

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"Se o Banco Central demorou um pouco mais ou demorou um pouco menos ou qual a falha que aconteceu, isso aí eu vejo como curso normal dos negócios de qualquer instituição. Eu acho que tem um post-mortem para gente fazer, seja mudando regras; as regras do FGC claramente estavam erradas, mudando procedimentos na supervisão do Banco Central", disse.

Esteves defendeu que, apesar de tudo, o Brasil tem um sistema financeiro altamente sofisticado, um dos mais avançados do mundo e com capacidade de entregar aquilo que a sociedade espera. "Não tenho a menor dúvida de que você pode criar coisas especiais sem precisar ter acesso", acrescentou. "A empresa que vive de acesso, você pode ter certeza que ela vai morrer ali na frente, porque ela desenvolve um skill, que não é o skill que faz a diferença", disse.

O executivo disse ainda que as grandes empresas brasileiras e no mundo, com valor de mercado grande, não vivem de acesso.

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