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Bancos defendem que Brasil faça lição de casa para enfrentar mundo mais complexo

24 ago 2026 - 13h59
Resumo
Em evento da Febraban, presidentes dos principais bancos do Brasil alertaram para a urgência do equilíbrio fiscal e do aumento da produtividade diante de um cenário global complexo. Com a dívida bruta em 81,9% do PIB e o déficit nominal perto de 10%, líderes de instituições como Bradesco, Itaú, Santander e BTG Pactual classificaram a alta do endividamento como insustentável, apontando que os juros elevados encarecem o crédito e exigem ajustes rápidos e maior eficiência econômica do país.

A poucos meses das eleições ‌no Brasil, presidentes de vários dos principais bancos do país defenderam nesta segunda-feira o equilíbrio das contas públicas e uma agenda para melhorar a produtividade, ressaltando um ambiente externo mais complexo.

"O que nós queremos ver efetivamente é equilíbrio fiscal, é um equilíbrio dessa dívida para que ela não suba nessa proporção em relação ao PIB", ressaltou o presidente-executivo ⁠do Bradesco, Marcelo Noronha, em painel durante evento de tecnologia no setor financeiro organizado pela ‌federação de bancos, Febraban, em São Paulo. "É preciso haver vontade política para fazer isso", acrescentou o executivo.

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A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou junho em ‌81,9%, contra 81,0% no mês anterior. Já a dívida ‌líquida do setor público foi a 68,5%, de 67,9%. O Tesouro Nacional projeta ⁠que o indicador seguirá em alta até 2029.

Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo, em janeiro de 2023, a dívida bruta do Brasil, considerada o principal indicador da solvência do país, aumentou 10,2 pontos percentuais do PIB.

O presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que é preciso olhar a questão do endividamento público. "A ‌trajetória da dívida nesse ritmo é insustentável", afirmou, reforçando que o país deve parar de ‌falar de superávit primário e ⁠déficit primário e falar ⁠de déficit nominal.

"Com uma dívida de R$10 trilhões com juros a 14%, essa conta no longo ⁠prazo é muito complexa, não tem nenhuma economia ‌que resista a um juro ‌real no nível que estamos vivendo", afirmou. Maluhy Filho lembrou que os juros no nível atual prejudicam o principal negócio dos bancos, a concessão de crédito, uma vez que em cenários restritivos com o atual a inadimplência cresce e o setor é ⁠forçado a emprestar menos.

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O déficit nominal do Brasil subiu para quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses até junho, de acordo com dados divulgados no final de julho pelo Banco Central, atingindo o nível mais alto desde 2021 sob o impacto da conta de juros.

O rombo aumentou para R$1,318 ‌trilhão, o equivalente a 9,99% do PIB, ante 9,61% até maio e 7,27% um ano antes. Na próxima semana, uma atualização dos números vai ser divulgada pelo Banco Central.

O ⁠presidente-executivo do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, reforçou o discurso afirmando que o Brasil precisa se ajustar rápido porque o cenário global vai ser mais difícil, em meio a uma "competição por capital" em que outras economias também estão elevando os juros. "Toda esta agenda local precisa ter o dobro de esforço para botar ordem na casa porque o mundo está mais complexo", afirmou.

O presidente-executivo do BTG Pactual, Roberto Sallouti, chamou atenção para questões como custo de capital, governança fiscal e produtividade. "Nós não podemos contar com o crescimento populacional para aumentar o nosso próprio potencial. Nós temos que ganhar produtividade. Educação, uso de tecnologia, infraestrutura e assim por diante", afirmou, destacando a inteligência artificial.

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"Nós estamos vivendo uma revolução tecnológica, que primeiro está levando um capex (investimento) enorme que está pressionando os mercados, e depois vai gerar ganhos de produtividade inimagináveis", disse Sallouti.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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