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Aneel avança com proposta que altera remuneração de distribuidoras, com foco na produtividade

14 jul 2026 - 15h33

A Agência Nacional de Energia ‌Elétrica (Aneel) decidiu nesta terça-feira abrir uma consulta para discutir mudanças em um importante mecanismo da remuneração das distribuidoras, o "Fator X", que captura ganhos de produtividade das concessionárias e os compartilha com os consumidores por meio de reduções tarifárias.

A proposta do regulador prevê alterar a metodologia ⁠de cálculo desse indicador, a fim de refletir transformações do setor elétrico ‌brasileiro que impactam diretamente os investimentos e o mercado das distribuidoras de energia.

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De um lado, as concessionárias têm sido pressionadas a aumentar ‌seus investimentos para digitalizar e modernizar suas ‌redes elétricas, além de torná-las mais resilientes a eventos climáticos ⁠extremos. Por outro lado, as distribuidoras têm visto um encolhimento do mercado faturado, sobretudo com o crescimento das instalações de telhados solares -- os donos desses sistemas acabam consumindo menos energia das distribuidoras, embora sigam conectados às redes dessas empresas.

Essa combinação de diminuição de mercado e ‌aumento de custos tende a provocar uma perda de produtividade das empresas.

Na ‌proposta apresentada pela Aneel, ⁠o Fator X ⁠teria ajustes metodológicos e passaria a considerar a produtividade individual de cada distribuidora ⁠e a produtividade média do setor, ‌um modelo mais capaz ‌de capturar a heterogeneidade entre as concessões, disse o regulador.

A consulta pública, que fica aberta de 16 de julho a 31 de agosto, foi antecedida por uma tomada de subsídios junto a distribuidoras, ⁠da qual participaram grupos como Equatorial, CPFL e Energisa, além da associação setorial Abradee.

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Segundo a Aneel, as empresas avaliaram que o conjunto de variáveis atualmente proposto pelo regulador "constitui uma base necessária, porém insuficiente" para mensurar adequadamente a produtividade das ‌distribuidoras no contexto atual do setor elétrico.

As distribuidoras veem necessidade de mais mudanças estruturais, com destaque para um reconhecimento explícito "intraciclo" de seus ⁠investimentos. Isso significaria que os investimentos realizados passariam a ser reconhecidos anualmente nos processos tarifários, em vez de apenas nas revisões tarifárias periódicas, que ocorrem a cada quatro ou cinco anos.

A questão do investimento intraciclo tem sido levantada pelas distribuidoras de energia desde a edição, em 2024, do decreto que permitiu a renovação de quase 20 concessões do segmento. Na ocasião, o governo federal acenou que o tema seria tratado via regulamentação da Aneel.

Segundo as concessionárias, seria possível aumentar a capacidade de investimentos para atendimento dos consumidores se houvesse esse reconhecimento anual nas tarifas, já que isso anteciparia o retorno dos aportes.

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