Desde novembro de 2024, todas as novelas inéditas da Globo – às 18h25, 19h40 e 21h20 – têm pelo menos uma atriz negra entre os papéis principais.
A coincidência começou com Duda Santos em ‘Garota do Momento’, Jéssica Ellen em ‘Volta por Cima’ e Gabz em ‘Mania de Você’.
Bella Campos assumiu a posição às 9, no papel de Maria de Fátima em ‘Vale Tudo’. A partir do dia 28, Clara Moneke será a protagonista na faixa das 7, na pele de Leona em ‘Dona de Mim’.
A próxima produção das 6, ‘Êta Mundo Melhor!’, continuação de ‘Êta Mundo Bom!’, terá também uma protagonista preta: Jeniffer Nascimento surgirá como Dita. Estreia prevista para junho.
Com título provisório de ‘Três Graças’, a futura novela das 21h, no ar em setembro ou outubro, terá três protagonistas (avó, mãe e filha na trama). Uma delas, no mínimo, será negra ou parda, segundo apurou a coluna.
O protagonismo preto feminino se consolida na emissora líder de audiência, espelhando a maioria de negros e mulheres da população brasileira.
Nem parece a mesma criadora de novelas onde, até o início da década de 2000, atrizes pretas apareciam quase sempre como coadjuvantes, à sombra das protagonistas brancas.
A pioneira a liderar um elenco na Globo foi Taís Araújo com a personagem Preta na novela das 7 ‘Da Cor do Pecado’, de 2004. Sucesso do 1º ao último capítulo.
Cinco anos depois, ela se tornou precursora às 21h, com ‘Viver a Vida’. Sua Helena sofreu rejeição devastadora, com dano à saúde mental da atriz. “Me afundei na tristeza”, disse à revista ‘Marie Claire’.
Outra a sofrer com o racismo de parte dos telespectadores foi Zezé Motta em ‘Corpo a Corpo’, de 1984. O canal recebia reclamações diárias de gente inconformada em ver uma atriz preta como arquiteta bem-sucedida e namorando um branco, vivido pelo galã Marcos Paulo.
“Teve um homem que foi horrível, eu fiquei chocada. Ele falou: ‘se a Globo me obrigasse a beijar essa negra feia, eu lavaria a boca com água sanitária quando chegasse em casa’”, contou a artista no ‘Encontro’.