Xingar Jonas de “burro” foi normalizado dentro e fora do ‘BBB26’. Oficialmente, o apelido é ‘quinta série’.
Sim, ele demonstra alguma dificuldade em concatenar e verbalizar seus pensamentos com clareza.
Mas, por trás do bullying contra a suposta baixa inteligência, há um incômodo pelo que ele representa.
São vários estereótipos negativos: o macho alpha, o hétero top, o homem padrão.
Ser branco, loiro, alto, bonito e musculoso o faz se destacar da maioria da população.
Consequentemente, gera admiração e também desprezo de quem enxerga tal perfil como tóxico.
Acrescente ao ‘pacote’ os 22 cm de dote, conforme a fama baseada em um vídeo íntimo antigo que ainda circula na internet.
Até a apresentadora Ana Maria Braga, em um familiar café da manhã no ‘Mais Você’, se referiu a ele como “Jonas 22”. O apelido jocoso se tornou inescapável.
Com tantas características louvadas na sociedade brasileira, o modelo e influenciador fitness seria “perfeito demais”.
Por isso, aquela parte da internet que faz questão de ser do contra agora se apega à capacidade intelectual dele para atacá-lo.
Carimbar “burro” na testa de Jonas é uma maneira de desconstruir o ‘deus’ criado no ‘BBB12’ e que havia sido cultuado até o início deste ‘BBB26’, quando o galã passou a ser visto como vilão apenas por se opor a Ana Paula Renault.
Ao escolher a inteligência como alvo, justamente o único atributo em que ele não se sobressai, cria-se um contrapeso simbólico para equilibrar o conjunto de privilégios físicos que incomodam.
Troca-se um preconceito pelo outro: já que não dá para chamá-lo de feio, fraco e criticar sua potência sexual (algo que se faz sem dó nas redes sociais), mira-se na suposta burrice, assim como é a ofensiva preferida contra a maioria das mulheres bonitas e, especialmente, as loiras.
Com isso, Jonas se tornou um campo de projeção: há quem o admire, quem o deseje, quem o ignore e quem finge detestá-lo para disfarçar a atração ou o despeito.