Onze anos depois do ‘Quem matou Odete Roitman?’ na TV brasileira, surgiu um mistério real que intriga o planeta até hoje. ‘Edmond Safra foi assassinado? Por quem?’
O bilionário libanês naturalizado brasileiro tinha 67 anos quando morreu em consequência de asfixia por inalação de fumaça, ao lado de uma enfermeira, na sua cobertura em Monte Carlo, em dezembro de 1999.
Deixou uma fortuna de 3 bilhões de dólares (R$ 5,5 bilhões na época). Não tinha filhos. Os beneficiários foram sua fundação filantrópica e a viúva, a gaúcha Lily Safra, com quem foi casado por 23 anos.
Na Netflix, o curioso documentário ‘Assassinato em Mônaco’, do diretor Hodges Usry, mostra os bastidores da investigação da morte suspeita, com várias citações ao Brasil.
Portador do Mal de Parkinson, Safra vivia cercado de cuidadores e seguranças. Uma das pessoas mais próximas era o enfermeiro americano Ted Maher.
Ele sustenta que dois homens, supostamente da máfia russa, invadiram o apartamento com o objetivo de sequestrar ou matar o ricaço. Para defender o patrão, entrou em luta corporal com a dupla e foi esfaqueado duas vezes.
Na fuga, os bandidos teriam provocado o incêndio. Refugiado no quarto do pânico, o bilionário não acreditou que estava a salvo quando o avisaram por telefone e se manteve trancado. Morreu sufocado sentado numa poltrona.
Logo essa versão desmoronou diante da falta de provas concretas da invasão. A investigação apontou que o próprio enfermeiro ateou fogo no imóvel para ser visto como herói ao salvar o patrão, mas o plano deu errado e restou a ele inventar a trama dos invasores e ferir a si mesmo para se safar.
Em formato de thriller de luxo, com ritmo acelerado e estrutura quase novelesca, o documentário mostra Maher como pouco confiável, mas também lança desconfiança sobre Lily Safra, a socialite gaúcha chamada de ‘viúva negra’ por uma jornalista que investigou o caso. Ela estava na cobertura e conseguiu escapar das chamas. A atuação da polícia, dos bombeiros e da justiça também fica sob suspeita.
O espectador acaba induzido a acreditar que ninguém é completamente inocente e pode chegar a uma conclusão perturbadora: um dos homens mais ricos e protegidos do mundo morreu por uma trapalhada.
Sem transformar o caso em tese conspiratória, ‘Assassinato em Mônaco’ sugere que diferentes interesses associados ao excesso de vaidade podem ter sido tão letais quanto o próprio fogo. Entre erros humanos, decisões precipitadas e um sistema de proteção que falhou no momento crucial, a morte de Edmond Safra escancara o paradoxo da riqueza extrema: quanto mais blindado o homem, mais vulnerável pode ficar diante do caos imprevisto.
No fim, a impressão é que a completa verdade nunca apareceu.