Cada vez mais acuada pelos concorrentes digitais, a televisão ainda exerce impressionante capacidade de chegar a todas as camadas da sociedade, das metrópoles aos menores vilarejos.
No domingo do 2º turno da eleição, Globo e GloboNews alcançaram juntas 70 milhões de brasileiros com a cobertura da ida às urnas e da apuração dos votos.
Esse número representa 32,7% da população brasileira, praticamente um terço do total de habitantes.
A transmissão especial na Globo teve média de 25,4 pontos, índice correspondente a 5 milhões de telespectadores somente na Grande São Paulo, maior colégio eleitoral do país. No mesmo horário, Record e SBT não passaram de 5 pontos.
A emissora da família Marinho mostrou, mais uma vez, que se mantém imune aos boicotes propostos por extremistas nas redes sociais e confirma a preferência do público em acompanhar grandes eventos pela TV aberta, ainda que com o celular em mãos.
As polêmicas que repercutiram mal — a exemplo da descontração excessiva de César Tralli na apuração do 1º turno e o almoço oferecido pela cúpula do canal a Flávio Bolsonaro — não tiram o mérito do jornalismo da Globo.
A cobertura diária das campanhas nos telejornais, as sabatinas no ‘Entrevista com o Candidato’ e o debate decisivo entre Lula (PT) e Flávio (PL) foram conduzidas de maneira correta.
É quase ingênuo esperar ou exigir 100% de imparcialidade de qualquer veículo de comunicação, seja estatal ou privado.
Toda empresa de mídia possui preferências ideológicas e, eventualmente, interesses econômicos, políticos e institucionais.
O que se espera é que esses fatores não se sobreponham ao compromisso com a informação, a pluralidade e a ética. Dentro do possível, a Globo passou no teste.