No ‘Fantástico’, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi chamado de “candidato derrotado” e sua carta recebeu o rótulo de “golpista”. A reportagem teve 13 minutos.
O mesmo havia ocorrido na abertura do ‘Jornal Nacional’ de quarta-feira (28), quando César Tralli disse que a carta tinha “tom golpista” e destacou a “acusação sem provas de fraude no segundo turno”.
Nota-se uma posição firme do jornalismo da Globo contra as ações do filho 01 de Jair de Bolsonaro após perder a eleição.
Parece haver um esforço para desfazer a ideia de apoio informal a ele nascida com o vazamento do almoço em 16 de outubro oferecido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, na sede do canal, horas antes de Flávio ser sabatinado no ‘Entrevista com o Candidato’.
Houve estranhamento porque Lula (PT) não recebeu o mesmo convite. O petista reagiu com críticas à emissora. Parte da imprensa e das redes sociais enxergou tratamento desigual e possível quebra de isenção jornalística.
O próprio Flávio relatou em redes sociais que o ‘Fantástico’ propôs entrevistá-lo, mas recusou sua exigência de exibir a fala na íntegra, sem cortes. Sinal de que a Globo não está disposta a abrir precedentes que comprometam sua independência editorial.
Na GloboNews, todos os comentaristas políticos, até mesmo os poucos de pensamento à direita, a exemplo de Merval Pereira, condenaram reiteradamente a fuga de Flávio para os Estados Unidos e sua tática de descredibilizar o processo eleitoral.
Ainda no ‘Fantástico’, o deputado federal reeleito André Janones (Rede) ganhou matéria elogiosa de 14 minutos, com tratamento de popstar da eleição, destacando a criação do ‘Exército do Lula’ no WhatsApp e sua importância na virada histórica que rendeu a vitória de Lula.
A Globo deve acionar seus jornalistas que mantêm linha direta com a cúpula petista, como a apresentadora Natuza Nery e o repórter Guilherme Balza, para reciclar a relação com o presidente e o núcleo principal do governo.
O Grupo Globo não depende das verbas de propaganda de Brasília, mas indica a intenção de conseguir algo tão valioso quanto: um canal de interlocução privilegiado com quem ocupa o centro do poder.
Decisões recentes de Lula afetaram diretamente a companhia de comunicação da família Marinho, como a escala 6 x 1 (são 14 mil funcionários com o crachá da Globo) e o fim das bets, que tirou do ar a casa de apostas do grupo, a BetMGM Brasil.