Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles
Na categoria de Filme Internacional, o vencedor foi o norueguês "Valor Sentimental", que superou o longa brasileiro. O filme, que chegou ao Oscar com nove indicações, acabou levando apenas essa estatueta. Ainda assim, o resultado marcou história: foi a primeira vez que a Noruega venceu um Oscar em 98 anos de premiação.
No palco, o diretor Joachim Trier fez questão de homenagear os outros filmes indicados. Mais tarde, na sala de imprensa, contou que se aproximou dos quatro diretores concorrentes durante a temporada de premiações. Segundo ele, parecia que todos estavam "em uma espécie de colônia de férias" ao longo da campanha.
Alguns críticos apontaram que a produção ganhou destaque e era considerada favorita principalmente por contar a história de um diretor de cinema e seus dilemas — os membros da Academia poderiam se identificar com a trama.
Na categoria de Melhor Ator, Wagner Moura perdeu a estatueta para Michael B. Jordan, por "Pecadores". O ator, que começou a carreira aos 12 anos e é um dos nomes mais populares de Hollywood, foi um dos mais aplaudidos da noite, tanto na cerimônia quanto na coletiva na sala de imprensa.
Na categoria Direção de Elenco, o Brasil concorria com Gabriel Domingues, responsável pela seleção de atores de "O Agente Secreto". Wagner Moura subiu ao palco com artistas dos outros filmes indicados, falou sobre a produção brasileira e foi ovacionado pela plateia. Mas o prêmio ficou com Cassandra Kulukundis, diretora de elenco de "Uma Batalha Após a Outra".
Na categoria de Melhor Fotografia, o brasileiro Adolpho Veloso competia com "Sonhos de Trem". "Pecadores" levou a estatueta. A vencedora, Autumn Durald Arkapaw, tornou-se a primeira mulher e a primeira negra a ganhar o prêmio na história do Oscar. No discurso, fez uma homenagem às mulheres e pediu que todas na plateia se levantassem, em um dos grande momentos da cerimônia.
Grande vencedor
"Uma Batalha Após a Outra" levou o principal prêmio, de Melhor Filme, e somou seis estatuetas, incluindo Direção de Elenco, Melhor Ator Coadjuvante para Sean Penn (que não compareceu à cerimônia) e Direção e Roteiro Adaptado para Paul Thomas Anderson, resultados que já eram esperados.
"Pecadores", que tinha 16 indicações, ganhou apenas quatro prêmios e foi o segundo mais premiado da noite. Em uma cerimônia com poucas surpresas, talvez a maior delas tenha sido a vitória de Amy Madigan como Melhor Atriz Coadjuvante, por "A Hora do Mal". Havia dúvida se a Academia premiaria uma atriz de um filme de terror, já que o gênero historicamente enfrenta resistência entre os votantes.
Em Efeitos Visuais, o favorito confirmou as apostas: "Avatar" levou a estatueta. O prêmio teve participação brasileira. Mel Quintas integra a equipe responsável pelos efeitos de "Avatar 2" e "Avatar 3". Um dos momentos mais curiosos da noite foi o sétimo empate da história do Oscar em 97 anos. Desta vez, ocorreu na categoria de Melhor Curta-Metragem (Live Action). Os vencedores foram "Os Cantores" e "Two People Exchanging Saliva".
Clima político
As manifestações políticas apareceram de forma discreta. No tapete vermelho, artistas exibiram broches e acessórios com mensagens contra guerras e políticas anti-imigração. Já nos discursos, poucos adotaram tom mais direto.
Um dos discursos mais emocionados foi o de Jessie Buckley, que fez história ao se tornar a primeira irlandesa a vencer o Oscar de Melhor Atriz, por "Hamnet". No palco, falou sobre maternidade e dedicou o prêmio às mães. "Embarcar na jornada para compreender a dimensão do amor de uma mãe é o maior impacto da minha vida. Hoje é o Dia das Mães no Reino Unido, e quero dedicar isso ao belo caos do coração de uma mãe."
Buckley, que tem uma filha de oito meses, contou depois, na sala de imprensa, que a bebê acabara de ganhar o primeiro dente. Os diretores do documentário vencedor "Um Zé Ninguém contra Putin" também fizeram um apelo pelo fim dos conflitos armados, com frases como "Não à guerra" e "Palestina livre".