Por que produtos feitos por humanos estão se tornando mais valiosos na era da IA?

Renan Bastos analisa como a IA, a automação e a produção em larga escala podem estar aumentando o valor do artesanato, da escassez e dos ativos de luxo nos EUA e nos mercados globais

8 jun 2026 - 21h57
Por que produtos feitos por humanos estão se tornando mais valiosos na era da IA?
Por que produtos feitos por humanos estão se tornando mais valiosos na era da IA?
Foto: The Music Journal

A inteligência artificial está transformando setores inteiros da economia em uma velocidade sem precedentes. Tarefas que antes exigiam horas de trabalho humano agora podem ser executadas em segundos, enquanto os avanços tecnológicos continuam reduzindo custos em áreas que vão das finanças à manufatura.

No entanto, à medida que a tecnologia se torna mais acessível e a automação avança, alguns observadores de mercado acreditam que uma tendência oposta está surgindo: produtos que ainda dependem de habilidade humana, artesanato e tempo podem se tornar cada vez mais valiosos.

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Segundo especialistas e participantes da indústria, os relógios de luxo representam um dos exemplos mais claros desse fenômeno.

Enquanto dispositivos digitais são produzidos em larga escala e substituídos constantemente por novas versões, muitos relógios mecânicos de alta relojoaria continuam sendo montados, finalizados e inspecionados por profissionais altamente especializados, utilizando técnicas desenvolvidas ao longo de gerações.

Para Renan Bastos, que acompanha de perto o mercado de relógios de luxo nos Estados Unidos (EUA), no Brasil e em outros mercados internacionais, o avanço da tecnologia pode acabar reforçando justamente o valor daquilo que ela não consegue reproduzir.

"À medida que a inteligência artificial se torna parte cada vez maior da nossa rotina, as pessoas começam a valorizar mais aquilo que exige habilidade humana, artesanato e tempo".

O contraste é especialmente visível na alta relojoaria. Algumas peças exigem centenas ou até milhares de horas de desenvolvimento, montagem, acabamento e testes antes de chegarem aos colecionadores.

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Diferentemente da eletrônica de consumo, onde velocidade, escala e eficiência costumam determinar valor, a alta relojoaria continua baseada em paciência, conhecimento técnico e raridade.

Essa tendência pode ser observada de forma particularmente clara nos Estados Unidos, um dos maiores mercados consumidores de relógios de luxo do mundo. Cidades como Miami, Nova York e Los Angeles concentram colecionadores, investidores e compradores que buscam peças cada vez mais exclusivas, em um momento em que produtos produzidos em massa se tornam abundantes e facilmente substituíveis.

Analistas observam que a escassez sempre desempenhou papel importante na valorização de ativos de luxo. Obras de arte, automóveis raros, vinhos colecionáveis e determinados relógios de luxo mantiveram demanda consistente justamente porque não podem ser produzidos de forma ilimitada.

Segundo Renan da Rocha Gomes Bastos, essa dinâmica tende a se tornar ainda mais relevante em um mundo cada vez mais automatizado.

"Quando tudo fica mais rápido, mais acessível e mais fácil de reproduzir, aquilo que é realmente escasso passa a se destacar ainda mais. As pessoas não estão comprando apenas um objeto. Elas estão comprando história, artesanato e algo que representa excelência humana."

Essa mudança também ajuda a explicar a crescente atenção dada aos relógios de luxo como ativos alternativos. Embora a maioria dos relógios não deva ser tratada como investimento, algumas referências de marcas como Rolex, Patek Philippe e Audemars Piguet demonstraram forte demanda ao longo do tempo nos mercados globais.

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Nos Estados Unidos, o crescimento do mercado secundário de relógios de luxo também reforçou esse movimento. O país concentra uma parcela significativa da liquidez global do setor e frequentemente antecipa tendências que posteriormente se espalham para outros mercados internacionais.

Especialistas destacam que os relógios de luxo ocupam uma posição única entre utilidade, cultura e preservação patrimonial. Diferentemente de muitos produtos de consumo, eles podem ser usados, colecionados, transmitidos entre gerações e negociados internacionalmente.

Renan Bastos acredita que as gerações mais jovens estão começando a reconhecer essa diferença.

"Muitas pessoas já não enxergam um relógio apenas como uma forma de ver as horas. Elas enxergam uma obra de arte no pulso, um pedaço da história e, em alguns casos, um legado familiar capaz de atravessar gerações."

O crescimento do mercado secundário de relógios de luxo nos EUA e em outros polos internacionais reforçou ainda mais essa tendência. Hoje, colecionadores têm acesso a um mercado global onde informações, preços e demanda circulam em tempo real.

Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial levanta uma questão mais ampla sobre a criação de valor na economia moderna: se a tecnologia pode automatizar cada vez mais atividades, o que realmente continuará sendo raro?

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Para muitos observadores, a resposta pode estar justamente em produtos e experiências que permanecem profundamente conectados à criatividade humana e ao artesanato.

À medida que a inteligência artificial continua transformando indústrias ao redor do mundo, o valor futuro dos bens de luxo poderá depender não apenas da inovação tecnológica, mas também das qualidades que a tecnologia ainda não consegue reproduzir.

Em um cenário onde a automação tende a reduzir custos e ampliar a oferta de produtos digitais, ativos escassos, artesanais e carregados de significado cultural podem continuar conquistando espaço entre colecionadores e investidores. E, para Renan Bastos, os relógios de luxo permanecem entre os exemplos mais emblemáticos dessa transformação.

The Music Journal Brazil
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