O guitarrista do Guns N' Roses, Slash, direcionou os holofotes para um movimento que vem ganhando força no cenário musical atual. Segundo ele, é possível notar um verdadeiro ressurgimento de um dos estilos mais tradicionais da história: o blues.
Em entrevista à revista especializada Guitarist (via Guitar World), Slash citou a constante aparição de novos artistas orientados ao blues - e que têm a guitarra como principal condutora de seus trabalhos - para justificar sua hipótese.
O músico do Guns N' Roses afirmou:
"Bem, estamos vivendo um período de renascimento para a guitarra blues. Há tantos guitarristas de blues puristas realmente incríveis — músicos muito estudiosos, com grande formação e talento — que estão por aí tocando muito blues. Acho que estamos vivendo um momento especial para o blues, mais do que em qualquer outra época dos últimos 20 anos. Na minha opinião, isso é um renascimento."
Slash e o blues
O próprio Slash, para além de sua rotina com o Guns N' Roses, também vem se dedicando mais ao blues recentemente. A imersão do guitarrista nesse universo ganhou força com o lançamento de um álbum de estúdio voltado a releituras do gênero, Orgy of the Damned (2024), e consolidou-se com o ao vivo Live at the S.E.R.P.E.N.T. Festival (2025), que prestigia o estilo.
O projeto deu vida a um festival itinerante idealizado pelo músico — cujo acrônimo S.E.R.P.E.N.T. carrega o lema de solidariedade, engajamento, restauração, paz, igualdade e tolerância (Solidarity, Engagement, Restore, Peace, Equality N' Tolerance), revertendo lucros para causas beneficentes (via site Igor Miranda). Ele ainda levou uma série de artistas de blues para esta turnê, entre veteranos e jovens promessas: Warren Haynes Band, Keb' Mo', Larkin Poe, Christone "Kingfish" Ingram, Samantha Fish, ZZ Ward, Robert Randolph, Eric Gales e Jackie Venson.
Sem forçar a barra
Para acompanhar essa nova fase Slash inclusive contou na entrevista que promoveu uma mudança em sua aparelhagem: deixou de lado os amplificadores Marshall, marca tradicional e que usou por décadas, e adotou os cubos da Magnatone, buscando mais clareza e definição para o blues.
Apesar dessa imersão no blues, Slash reforça que sua abordagem não tenta forçar um personagem, mas sim ser algo natural e respeitoso com o estilo:
"Não estou tentando ser um 'cara do blues'. Muitos caras do rock fazem isso: são músicos de rock e, de repente, 'descobrem' que são caras do blues. Eu só estou fazendo uma interpretação de coisas que realmente tiveram um impacto e uma influência enorme em mim quando peguei na guitarra pela primeira vez."