A polêmica surge após o lançamento de seu novo single, Notre-Dame, que, segundo o artista, alcançou o sexto lugar nas paradas oficiais do Reino Unido sem qualquer suporte radiofônico. A crítica não é apenas um desabafo pessoal, mas um questionamento sobre o papel das instituições de mídia na curadoria musical e na representação cultural.
Em uma publicação intitulada A Diversidade é uma Mentira em seu blog Morrissey Central, o cantor não poupou palavras ao denunciar a emissora.
"O público quer ouvir a música, mas a BBC não a toca, apesar de as suas estações serem um serviço público obrigado a refletir o gosto do público", escreveu Morrissey.
A alegação central é que a emissora ignora músicas que demonstram "pensamento independente", transformando a suposta "diversidade" em uma falácia.
"Quando as pessoas dizem 'A diversidade é a nossa força', elas omitem como a sua noção de 'diversidade' implica regulamentações e punições muito rígidas do Terceiro Reich," disparou, questionando a honestidade por trás do discurso midiático.
O drama se aprofunda com os dados das paradas. Notre-Dame, de fato, conquistou a sexta posição na parada oficial de vendas de singles e um respeitável quinto e quarto lugar nas categorias de singles físicos e de vinil, respectivamente. No entanto, o single permanece ausente da parada oficial principal, que historicamente reflete a popularidade geral.
Essa desconexão entre o sucesso de vendas e a ausência nas principais playlists de rádio alimenta a narrativa de Morrissey sobre uma indústria que, segundo ele, manipula a percepção pública.
Este embate não é um incidente isolado. Em março, seu 14º álbum solo, Make-Up Is A Lie - o primeiro em seis anos - alcançou a terceira posição na parada oficial de álbuns, demonstrando a persistência de sua base de fãs mesmo sem o apoio da grande mídia. A relação conturbada de Morrissey com a BBC se estende a um documentário sobre os Smiths, que, segundo ele, o retrata de forma desfavorável.
Numa postagem já removida, o artista de 67 anos expressou sua indignação com a abordagem crítica do programa, que ele afirma que irá ao ar em 13 de julho.
Ele reitera que não foi procurado para contribuir com o documentário, apesar de considerar The Smiths como sua criação:
The Smiths era a minha voz, as minhas letras, os títulos das minhas músicas, os títulos dos meus álbuns, as capas dos meus singles e álbuns, a minha visão, as minhas melodias vocais, as minhas emoções - de mais ninguém
A crítica se estende à mídia de forma mais ampla, que, de acordo com o cantor, distorce sua imagem.
Quando o The Guardian diz que ama os Smiths, mas odeia Morrissey, é como dizer 'odiamos David Bowie, mas amamos os Spiders From Mars'. É tudo tão encenado, não é?
A saga de Morrissey com a mídia e as instituições culturais levanta questões profundas sobre autenticidade, controle narrativo e o verdadeiro significado de "diversidade" em um cenário de entretenimento cada vez mais polarizado.