O álbum dos Rolling Stones que todo mundo adora, menos Mick Jagger

Enquanto Keith Richards defende o disco, vocalista critica o caos que tomou conta da gravação, a mixagem e até a qualidade das músicas

26 jun 2026 - 14h03

Considerado por críticos e fãs como uma das maiores obras-primas da história do rock, o álbum Exile on Main St., lançado pelos Rolling Stones em 1972, atingiu o topo das paradas mundiais e reforçou o status mítico da banda. Vem dele canções como "Tumbling Dice", "Happy" e "Sweet Virginia". No entanto, há pelo menos uma voz dissonante no meio de tanto entusiasmo: a do próprio vocalista do grupo, Mick Jagger.

Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, em 2026
Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, em 2026
Foto: Kevin Mazur / Getty Images for UMG / Rolling Stone Brasil

Para Jagger, as lembranças que cercam o disco duplo estão longe de evocar o romantismo de um clássico absoluto. Em depoimentos ao longo dos anos, o frontman revelou que a desordem, os excessos e a falta de foco dos companheiros de banda transformaram o processo de gravação em um verdadeiro caos, fazendo com que este se tornasse um dos trabalhos que menos aprecia.

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Em 2003, o vocalista afirmou (via Guitar Player e Far Out Magazine):

"Não tenho muita certeza se as músicas são boas. E ele tem algumas das piores mixagens que já ouvi. Adoraria remixar o disco, não só por causa dos vocais, mas porque, no geral, acho que soa péssimo. Na época, (o produtor) Jimmy Miller não estava em plena atividade. Tive que terminar o disco inteiro sozinho, porque só tinha um monte de bêbados e viciados."

Rolling Stones e 'Exile on Main St.'

As gravações do álbum começaram nos estúdios Olympic, em Londres, mas os Stones logo precisaram se mudar para o sul da França como "exilados fiscais". A banda se estabelceu na Villa Nellcôte, uma mansão na Riviera Francesa. Foi ali, em um porão transformado às pressas em estúdio improvisado, que o caos se instalou.

O local virou uma porta giratória de traficantes, amigos, celebridades e músicos aleatórios. O guitarrista Mick Taylor relembrou mais tarde que o ambiente era tão confuso que ele sequer se lembra da visita de John Lennon e Yoko Ono, que supostamente estiveram por lá.

Sobrecarga em Mick Jagger

A responsabilidade de dar um fechamento ao projeto acabou caindo sobre os ombros de Mick Jagger. Só que o próprio admite que também teve culpa no cartório:

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"Claro que, no final das contas, eu sou o responsável por isso (gravação caótica), mas realmente não é bom o bastante, e não houve um esforço coletivo."

Keith Richards discorda

Para o guitarrista Keith Richards, no entanto, Exile on Main St. não só é um grande disco como está entre os melhores já feitos pela banda. Em 2002, ele argumentou:

"Por um ou dois anos, o disco foi considerado um fracasso. Foi uma época em que a indústria musical estava repleta desses sons impecáveis, e nós estávamos indo na direção oposta. Mas sim, é um dos melhores (dos Stones)."

Rolling Stone Brasil
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