Muse lança álbum 'The Wow! Signal': 'É uma espécie de renascimento', diz Matt Bellamy

Em entrevista, o vocalista entra em detalhes sobre o que considera "o melhor álbum que fizemos em muito tempo"

26 jun 2026 - 15h04

A banda Muse, liderada por Matt Bellamy (voz, guitarra, teclado), lançou seu décimo álbum de estúdio, The Wow! Signal, nesta sexta, 26. Inspirado no "Sinal Wow!", famoso sinal de rádio captado em 1977 que se tornou um dos maiores mistérios da astronomia , o disco explora temas de vida extraterrestre e ficção científica. Apesar disso, o vocalista o descreve como um dos álbuns mais "humanos" da banda, e "o melhor que fizemos em muito tempo".

Matt Bellamy, do Muse, em 2026
Matt Bellamy, do Muse, em 2026
Foto: Joseph Okpako/WireImage / Rolling Stone Brasil

"Como humanidade, o que fazemos quando não sabemos as respostas para nada? Buscamos as respostas. Onde buscamos? Olhamos para as estrelas, inventamos religiões, imaginamos extraterrestres", diz Bellamy em entrevista à NME.

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O disco mescla o rock tradicional do trio — formado por Dominic Howard (bateria e percussão) e Christopher Wolstenholme (baixo, voz secundária e teclado) — com influências de música clássica e uma roupagem pop/eletrônica. The Wow! Signal inclui ainda uma parceria inédita: a cantora Ellie Goulding nos vocais do single "Hush". "É a primeira vez que fizemos uma composição colaborativa", conta o vocalista.

Ele explica que a parceria nasceu por pura coincidência. "Nós criamos a música e Ellie Goulding estava trabalhando na sala ao lado com Marshmello. Eu já tinha encontrado a Ellie várias vezes ao longo dos anos e conversado sobre fazer algo juntos. Ela simplesmente apareceu por volta das 23h", conta. "Ela pediu para ouvir e alguém a convidou para cantar na música. Acabamos transformando em um dueto. Ela cantou em algumas tomadas e, uma hora e meia depois, tínhamos a música."

Além disso, as faixas "The Dark Forest" e "Space Debris" tem sessões de cordas gravadas pela Orquestra Metropolitana de Londres.

https://www.youtube.com/watch?v=WUlJMCqy9-M

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A inspiração para The Wow! Signal

Bellamy explica que o álbum aborda seu desejo de preencher o vazio do "desconhecido", especialmente após separação da sua esposa e mãe de dois de seus filhos, Elle Evans. Essa busca por sentido e respostas do universo o obrigou, na verdade, a olhar para dentro.

"Eu diria que, nos últimos álbuns, eu estava pensando em coisas externas, como política, o mundo, o futuro, até mesmo coisas ficcionais, sabe, mas não nas minhas próprias questões internas", afirmou.

Passei por momentos difíceis na minha vida pessoal no ano passado, então fazer este álbum me lembrou de quando eu fazia música na adolescência, quando a música era tudo. 'Não consigo viver sem música' - esse sentimento voltou para mim neste álbum. A música se tornou uma tábua de salvação novamente, uma catarse, aquilo a que me agarrei para manter minha identidade.  É uma espécie de renascimento tardio.

Bellamy lamenta que a inspiração seja mais forte em momentos de tristeza e confusão: "Esse é realmente o melhor lugar para um artista estar".

Ele explica que, apesar de ser um álbum extremamente pessoal, há temas que não se sente confortável em falar sobre. "[Enfrentei momentos difíceis de] saúde mental, tive que ser pai solteiro sem a presença de outro responsável por um longo período, precisei cancelar uma turnê para estar presente para meus filhos, coisas assim", confessa. "Essa é realmente a essência do álbum. Gostaria que as pessoas pudessem inferir algumas das coisas".

Produção de The Wow! Signal

Quatro anos após o lançamento de seu último disco, Will of the People, esta é a primeira vez que o Muse trabalha ao lado de um produtor fixo. Oito músicas foram produzidas por Dan Lancaster (produtor do Bring Me The Horizon) e duas pelo engenheiro musical Aleks Von Korff, parceiro de longa data do trio.

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Segundo Bellamy, essa pressão externa foi importante para que a banda saísse da zona de conforto. "Foi um pouco difícil para nós soltar as rédeas em termos de som, mixagem e produção, mas sentimos que não deveríamos mais produzir tudo sozinhos", afirma.

O vocalista diz que o projeto se assemelha a uma versão "atualizada" dos primeiros lançamentos do Muse. "Se você comparar com Origin Of Symmetry [2001], ainda tem a crueza da performance, mas soa muito maior, muito mais presente e impactante. [Dan] fez um ótimo trabalho. Esse é potencialmente o começo de um relacionamento de longo prazo", explica.

A trajetória do Muse

O Muse surgiu em 1994 na cidade de Teignmouth, Inglaterra. Os membros começaram a tocar juntos ainda na adolescência, quando tinham por volta de 16 anos; seu primeiro álbum de estúdio, Showbiz, foi lançado em 1999.

Olhando para o passado, Bellamy reflete: "Havia três coisas acontecendo naquela época: o fim do Britpop, o nu-metal nos Estados Unidos e a nova onda empolgante era The Strokes, The White Stripes , aquele rock 'n' roll retrô. Nós não nos encaixávamos em nenhuma dessas coisas - e isso foi uma bênção. O fato de termos encontrado um público sem fazer parte de uma tendência é incrível, e acho que é por isso que ainda estamos aqui. Somos a definição de alternativo".

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Embora as músicas atravessem questões pessoais, transpor essa experiência para o ao vivo não será uma dificuldade para o cantor, pois ele se sente "completamente imerso" nas músicas.

Quando eu tinha 19, 20, 21 anos, eu não sabia o que o futuro me reservava, sabe? Me importar com o que a imprensa dizia ou com o que os fãs pensavam importava. Agora não importa mais.

Muse inicia sua turnê norte-americana na próxima quinta, 2 de julho, antes de seguir para o Reino Unido e a Europa em novembro. Ainda não há datas confirmadas no Brasil.

Rolling Stone Brasil
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