Sepultura entrega precisão técnica e fúria old school no Rock in Rio Lisboa

Banda apresentou turnê de despedida em Portugal neste neste domingo, 21, e provou, no palco, por que é uma das maiores do País; veja vídeo

21 jun 2026 - 20h29
(atualizado às 20h51)

LISBOA - É no palco que o Sepultura prova o motivo de ser a banda de metal brasileira mais bem-sucedida de todos os tempos. Neste domingo, 21, o grupo se apresentou no Rock in Rio Lisboa com sua turnê de despedida, a Celebrating Life Through Death (Celebrando a vida através da morte).

Publicidade

É até irônico, mas o Sepultura está mais vivo do que nunca. Atualmente, a banda é formada pela precisão técnica de Andreas Kisser, o baixo intenso de Paulo Jr., a voz e presença intensas de Derrick Green e o frescor e energia de Greyson Nekrutman, que entrou no grupo após a mudança do baterista Eloy Casagrande para o Slipknot.

Sepultura se apresentou no Rock in Rio Lisboa neste domingo, 21, em show de turnê de encerramento da banda
Sepultura se apresentou no Rock in Rio Lisboa neste domingo, 21, em show de turnê de encerramento da banda
Foto: Sabrina Legramandi/Estadão / Estadão

Em tempos em que os shows são quase feitos para serem filmados, Sepultura oferece uma proposta quase analógica: música tocada ao vivo, sem playbacks e distorções quase ensurdecedoras da guitarra de Andreas. E percebemos a entrega de uma banda que, mesmo com o fim iminente, ainda está lá, forte. O grupo conseguiu segurar bem o público português, mesmo com uma debandada precoce de parte da plateia para o palco ao lado - para o show do Linkin Park - antes da clássica Roots.

Antes de Escape To The Void, de 1987, Andreas prometeu um "metal old school de Belo Horizonte", pedindo por rodas de mosh - as caóticas rodas "bate cabeça" - entre o público. "Vamos mostrar a força de Portugal, c******", gritou. Obediente, quem assistiu atendeu ao pedido.

A brasilidade também está no Sepultura

Mesmo com as músicas todas em inglês, a banda nunca escondeu ser um "produto brasileiro". O grupo escolheu Polícia, clássico do Titãs, para anunciar sua chegada ao palco. As influências da música indígena e outros gêneros brasileiros também estão lá: em Attitude, do icônico álbum Roots, de 1996, a banda prende o público com uma longa introdução com berimbau.

Publicidade

O telão ainda mostrou gravações antigas da composição do álbum Chaos A.D., de 1993, com a maior influência da música indígena. Em um dos momentos mais fortes, uma figura da morte levitando apareceu para que a banda tocasse Beyond The Dream, canção lançada neste ano.

"O futuro não é nosso fim. Deixe tudo para trás para recomeçar, não há expectativas", repetia Derrick quase como conselho e profecia. Afinal, o que há mais a oferecer antes do risco de decair, depois de marcar a história? É uma pergunta sem resposta, mas o Sepultura, fiel aos bons shows até o fim, parece ter uma pista.

A banda também se apresenta com a turnê de despedida no Rock in Rio em setembro. O último show ocorre em São Paulo, no Mercado Livre Arena Pacaembu, em novembro.

*A repórter viajou a convite do Rock in Rio.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações